Sobre a arrogância no homem público

Sobre a arrogância no homem público

Um novo tempo deve sair das trevas de uma política de politicagem, e pensar na Política como a arte sana de tratar a “coisa pública”

O sentimento de arrogância aponta para um desejo narcísico de onipotência, onisciência e onipresença, ou seja, o homem que usa o poder para a prática de atos de arrogância, tem uma fantasia que tenta(?) corrigir sua própria auto-estima ( sempre baixa) e que será adorado como os Deuses foram na Grécia Antiga. Daí, geralmente sua atitude de extrema sedução, sua astúcia em seus desejos corruptos e sua maneira de ser política baseada na falsidade demagógica. É sempre repetitiva a conduta dos governantes, em campanha e começo de exercício das suas funções, fazer o eterno jogo do toma lá, dá cá. A perpetuação no poder pode se exercer através de uma rede de interesses com gangues e grupos administrativos, mantendo um status-quo do funcionamento da “casa grande/ senzala”.

O país passa por uma possibilidade de diminuir consideravelmente a forma política como profissão em causa própria sem considerar os direitos dos cidadãos. Na arrogância, o arrogante tem a ficção ou crença em seu poder ilusório, olhando para os seus eleitores, o povo em geral, como se fossem pessoas despersonalizadas e sem nenhuma capacidade de discriminação entre o falso e o verdadeiro. Isso vem sofrendo mudanças em nossa população; ainda que menor, mas a consciência política vem crescendo ultimamente e a cegueira da arrogância política vem percebendo que não se engana como no passado recente, não se consegue mais uma “imunidade fantástica”, pois a mídia, a imprensa e as redes sociais estão transformando a consciência do cidadão, e os mesmos estão cobrando como nunca dantes. Que existirão corruptos e corruptores, não temos dúvidas, mas hoje é mais difícil a astúcia do roubo público, das malas de dinheiro público, das mutretas entre grupos dominantes exaurindo o erário público.

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“O centro do orgulho do homem sofre um duro golpe. Depois de ter aprendido que ele não é mais –nem mesmo –o centro do mundo, do universo, ele precisa aprender e assumir que também não é o centro de si mesmo”. Palavras sábias, escritas pelo filósofo francês contemporâneo, Michel Onfray, em seu estimulante livro, editado em 2014 pela Editora Autêntica —–“A Sabedoria Trágica – sobre o bom uso de Nietzsche”. Esse texto brinda os ensinamentos do filósofo alemão, tão atual e menos desconsiderado como há tempos atrás. Michel cita Nietzsche em seu livro – “Homem demasiado humano”: “A total irresponsabilidade do homem por seus atos e seu ser é agora a gota mais amarga que o homem do conhecimento tem de engolir, se estava habituado a ver na responsabilidade e no dever a carta da nobreza de sua humanidade. […] Tal como se coloca diante das plantas, deve se colocar diante dos atos humanos e de seus próprios atos”.

É preciso ser cego, arrogante (sinônimo) para não levar em consideração a veracidade dessa evidência — Nunca se tratou os semelhantes como “abjetos” para uso próprio, enriquecimento e manutenção no poder quanto nos tempos atuais. Um novo tempo deve sair das trevas de uma política de politicagem, e pensar na Política como a arte sana de tratar a “coisa pública” (Res-publica). F. Nieztsche denuncia o “definhamento do camelo”, como o nosso povo, que adora se ajoelhar diante de promessas de “salvadores da pátria”. Esperemos que o comportamento arrogante dê lugar à consideração afetiva e social pela população que tem direitos adquiridos, desde a Declaração dos Direitos Humanos.

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