Moda candanga: bordadeiras se unem para gerar renda e ajudar mulheres do DF

Moda candanga: bordadeiras se unem para gerar renda e ajudar mulheres do DF

Instituto Proeza ensina costura em tecido de chita a donas de casa. Peças produzidas estão expostas em shopping de Taguatinga

Em tecidos coloridos, usando linhas e agulhas como instrumentos de trabalho, um grupo de mulheres do Distrito Federal passou a bordar os caminhos da própria independência financeira.

De ponto em ponto, juntas, elas criaram uma rede de apoio e geração de renda, o Instituto Proeza, que há 15 anos ensina técnicas de costura e bordado em chita. Com sede no Recanto das Emas, a organização não-governamental também incentiva as mulheres, principalmente donas de casa e vítimas de violência, a buscarem na moda e no artesanato, meios de conquistar a autonomia financeira.

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“Criei o projeto pensando em como seria bom se tivéssemos algum trabalho em que a mãe pudesse ficar em casa, mas ainda sim, pudesse ter alguma renda”, conta a idealizadora do projeto, Kátia Ferreira.

Sem muitos recursos para começar a bordar, o grupo escolheu um dos tecidos mais baratos para deixar sua marca: o chitão, conhecido também como chita, famoso pelo baixo custo e pelo colorido das estampas.

Ao mesmo tempo em que aprendiam uma nova profissão, as mulheres começaram a aperfeiçoar a técnica e a costurar peças que, de tão originais, foram levadas para desfiles de moda pelo Brasil e em eventos na França, Espanha e Japão. Atualmente, os looks produzidos estão em exposição no Taguatinga Shopping.

“Em cada peça a gente pensa qual tempero colocar para dar nossa idetidade”, conta Kátia. “A gente se apropria da técnica, que é antiga, coloca referência, design, brasilidade e alma”

Vestido feito em chita, costurado por bordadeiras de projeto social no Recanto das Emas, no DF
A cara de Brasília

Uma década e meia depois de criação do projeto social, as mulheres ainda trabalham na produção e no bordado de roupas, mas, agora, com um diferencial: deram a cada bordado um toque candango, o que elas chamam de “a cara de Brasília”.

“O bordado de Brasília tem referência de todas as partes do país. Nós podemos chamar de artesanato candango, cheio de características nossas, da capital.”

“As pessoas se perguntam por que todo mundo ama esse produto: porque todo mundo gosta de originalidade”, explica Kátia. Para a estilista, “entender a regionalidade” é o segredo do sucesso da marca que nasceu em um projeto social. Atualmente 86 mulheres fazem aulas de bordado e costura no Instituto Proeza.

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Almofadas feitas em tecido bordado por costureiras do projeto Proeza
Rede de apoio

Não satisfeta em ajudar apenas as mulheres de mais de 80 famílias do DF, a estilista estendeu o público-alvo do projeto para os filhos adolescentes de cada aluna. Além de capacitar as mães, Kátia abriu um pré-vestibular gratuito na região e passou também a ajudar nos estudos de jovens entre 17 e 19 anos.

“O instittuo foi crescendo na mesma medida em que meus filhos”, lembra. “Eu pensava como seria bom se as crianças e os jovens pudessem ter um lugar para ficar e as mães trabalhar, mas de forma assistida, aí fizemos um contraturno escolar”.

“Eu olho e penso no que os filhos dessas mulheres podem fazer para que não repitam as histórias de seus pais”.

Em funcionamento há mais de um ano, o curso preparatório para o vestibular tem dado certo. Com 52 jovens matriculados, no ano passado, o grupo teve 46% de aprovação na UnB, afirma Kátia. Em 2018, a nova turma já recebeu 126 inscrições de alunos interessados nas aulas.

“A história do instituto é criar oportunidade e os mesmos direitos. Ver que as pessoas podem e devem ter acessos às mesmas coisas.”

Exposição de looks bordados em chita

Quando: até de 16 de maio
Local: Praça de vidro do Taguatinga Shopping

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