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Oxalá a espera fosse curta…

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#BrasíliaMística #DiversidadeReligiosa

Dia 11 de abril fará um ano que a estátua de Oxalá, na Praça dos Orixás, localizada na Prainha (Asa Sul), foi destruída em uma ação de vândalos. Orixás são divindades do panteão africano correspondentes às forças da Natureza. Oxalá representa as massas de ar e água, detem o poder procriador masculino e está associado à criação do mundo e da espécie humana.

Prainha dos Orixás em março de 2017

A despeito de Obatalá, outro nome deste orixá poderoso, ser um dos deuses mais importantes para as religiões de matriz afro, como o candomblé e a umbanda, e correspondente a Zeus, grego, e a Júpiter, romano, a estátua dele continua destruída e sem previsão de ser reposta ou recuperada.

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A Prainha está ornamentada com 16 estátuas de orixás criadas pelo escultor Tatti Moreno. O local já sofreu outros ataques motivados pela intolerância religiosa. Em 2006, quatro esculturas foram arrancadas dos pedestais. Em 2009, a praça foi restaurada por R$ 730 mil e reaberta ao público.

A Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno informou à Brasília Mística que o Governo do Distrito Federal (GDF) ainda não conseguiu melhorar a Praça dos Orixás. Tampouco resolveu o problema do vandalismo. “Seria muito importante que as autoridades dessem maior atenção a esse tema”, comenta o presidente da entidade, Rafael Moreira.

Questionado pela coluna, o GDF enviou uma longa nota com algumas explicações. Infelizmente, nenhuma previsão sobre a reposição da estátua, a aplicação da justiça nos atos criminosos ou vigilância mais efetiva no local, com instalação de câmeras, por exemplo. (veja a íntegra da nota)

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A Prainha dos Orixás é praticamente o único ponto público de Brasília para culto das religiões de matriz africana e, por isso, muito visado por grupos que propagam a intolerância religiosa.

O GDF informou que a Administração Regional do Plano Piloto é responsável pela área pública da Prainha e enviou ofícios a orgãos como Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF), Novacap, CEB e SLU para garantir a segurança, organização e limpeza do local.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) esclareceu que o policiamento na região é feito pelo 1º Batalhão. Uma viatura faz a ronda durante a semana, entre 10h e 22h. Após esse horário, uma viatura circula de maneira preventiva na região. Nos finais de semana, o policiamento é feito 24h. O policiamento ostensivo tem apoio do policiamento tático e unidades especializadas da corporação.

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Estátua ainda está destruída um ano após o ataque

A coluna Brasília Mística esteve neste domingo (26) na Praça dos Orixás para fotografar a estátua de Oxalá vandalizada e sem reparos. Havia diversos carros, banhistas, churrasqueiros, mas nenhuma viatura da PMDF. Um sistema de câmeras poderia ser uma solução mais efetiva para vigilância contínua, com a possibilidade de enviar viaturas apenas para rondas.

Com relação à políticas públicas para promoção da diversidade religiosa, a nota do GDF afirma que a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) instalou este mês o Comitê Distrital de Diversidade Religiosa. Trata-se de  um espaço de diálogo entre sociedade e Estado para fomentar a promoção dos direitos humanos para a diversidade religiosa, combater a intolerância religiosa e defender a laicidade do Estado.

Já a SSP-DF informou que, em abril de 2016, foi criada a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), da Polícia Civil. A unidade especializada trata especificamente dessas naturezas criminais, mas crimes podem se registrados em qualquer delegacia do DF.

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Aguardamos ansiosamente qualquer informações sobre a reposição da estátua de Oxalá.

Serviço

Denúncias sobre atos de intolerância religiosa, racismo, xenofobia e outros tipos de discriminação podem ser encaminhadas à ouvidoria do MPDF, pelos números 127 ou 0800-644-9500, ao Disque 100 ou ao Disque Racismo, no 156, opção 7.

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