A necessidade da Feira do Livro de Brasília de se reinventar

Hoje a coluna é delicada, importante ser levantada e principalmente, não é um ataque a organização da 34° Feira do Livro de Brasília, mas sim um ponto de vista que julgo importante para que a própria feira possa alcançar mais pessoas, pois a literatura é plural e a minha geração está aqui para mostrar que também somos parte da literatura brasileira.

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Depois das últimas duas últimas edições da Feira do Livro de Brasília, a 34° edição que veio como internacional retirou de sua programação o Encontro de Jovens Escritores e o Encontro de Blogueiros Literários, que teriam suas terceiras edições este ano. Como blogueiro e jovem escritor o que mais ouvi no decorrer dos dias foram várias pessoas, que esperavam pelos encontros, tentando saber o que havia ocorrido. Não soube dizer ao certo, talvez um reflexo do momento econômico que vivemos e a organização foi obrigada a retirar da programação por conta disso, ou, o que mais acredito que possa ter ocorrido, da falta de empatia que o evento teve no ano passado ao ter juntado o encontro de blogueiros com o de jovens escritores.

Na sua primeira edição, em 2016, os dois encontros foram a ponta da renovação que todos nós do lado de cá estávamos esperando, cada encontro focado para o seu público, cada encontro com mesas pensadas para agregar informação e troca de experiências. Já no ano passado com a junção dos dois eventos em um só, tivemos uma frustração generalizada além da falta de pessoas mais bem preparadas para fomentar o jovem escritor e o blogueiro literário, nem vou entrar na polêmica causada por uma das mesas, onde foi incentivado o plágio, pois isso já foi tratado aqui no blog na época. Além da falta de comunicação das mesas com o público ainda tivemos uma dominação sobre cultura coreana, mais conhecida como K-pop, o que acredito que foi uma soma de fatores para o resultado que tivemos nessa edição da feira de 2018.

Pela falta dos dois eventos, nossa participação foi resumida a uma mesa no penúltimo dia da feira, que encerraria o dia das atividades do palco principal. Seria um prestígio sem igual se não fosse pela falta de tato de parte da organização conosco, que como eles dizem somos o futuro da literatura, mas a impressão que tenho é que estamos sendo minados por eles.

Uma entrega de homenagens que não estava na programação foi criada para ocorrer no mesmo horário de uma das únicas mesas com participação de jovens escritores e blogueiros daqui de Brasília. E esse não foi o pior dos descasos com a minha geração, pois ao chegarmos ao palco principal nos deparamos com um palco em processo de desmontagem dos equipamentos de som. De acordo com os próprios funcionários terceirizados, a organização geral da feira passou dizendo que não haveria mais nada no local, as cadeiras estavam guardadas, a mesa de som desligada e os microfones já estavam no depósito na 908 sul, para quem não é de Brasília, a localidade fica aproximadamente a 15/20 minutos do local que a feira ocorreu.

Faltando trinta minutos para a hora da mesa, corremos, fomos atrás e começamos nossa participação com 15 minutos de atraso. O rapaz da mesa de som teve que ir no depósito buscar os microfones. Das 50 cadeiras que colocamos na frente do palco, tivemos que por mais um pouco, pois conseguimos público mesmo com todas as adversidades. Mesmo com todos os contratempos falamos com quem nos ouvia e demos um panorama geral sobre processo de escrita, como publicar, formatos de publicação, estratégias de divulgação e todo o trabalho que blogueiros tem em todo esse processo. Para ver a nossa mesa, fizemos uma live pela página do Ponto no Face.

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Eu sei que o mundo da literatura é repleto de ego e aqui eu gostaria de falar diretamente com uma parte da organização da feira: Nós, jovens escritores e blogueiros literários, não queremos tirar o lugar de ninguém, nós respeitamos o trabalho de todos, mas queremos mostrar nossa produção. A literatura é grande e plural o suficiente para abraçar a todos.

Dentro de todo esse panorama eu fico aqui me perguntando, cadê aquela Feira do Livro de Brasília de 2016 que se reinventou para dar voz a nova geração de escritores e profissionais do mercado editorial. A feira do livro de Brasília de 2018 foi menor, teve muito menos mesas, teve poucas escolas presentes sendo que o tema central era literatura infantil e teve uma falta de brilho que aparentou elitismo cultural. Faltou participação forte de literatura de Brasília, faltou mais programação. Por dia tivemos uma média de 7/8 mesas de debate, nos dias mais cheios chegaram a 9. Caso os espaços tivessem sido usados em suas plenitudes, teriam sido dobrados o número de mesas.

Eu acredito que a força da literatura local se mostra através de sua feira, com mesas simultâneas e uma programação cheia de diversidade de assuntos. Os debates levantados durante uma feira de livro mostram a força da produção literária local, como todos que me paravam nos corredores dizendo que a feira estava menor e que a programação estava pequena, eu venho aqui compartilhar essa mesma percepção.

Falta o espírito de ousadia e pioneirismo que fez Brasília ser Brasília. A reinvenção é constante para todas as artes, reinvenção com respeito a quem já fez sua estrada, pioneirismo para abrir novos caminhos e ousadia para mostrar que literatura é do povo.

Que 2019 traga bons ventos para o Brasil no geral e que para a literatura brasiliense traga uma feira abarrotada de programação para mostrar a força da produção local. Ano que vem o tema da feira será Bibliotecas, é a chance de resgatarmos a literatura do cerrado com força junto a comunidade.

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Paulo Souza

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Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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