Periódicos literários do Brasil

O que já é importante dizer, antes de tratar dos jornais, e de suas importâncias durante os períodos de maior repercussão da nossa produção literária, é dizer que sempre houve e haverá um jornal por de trás dos nossos grandes momentos.

Nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro tive a oportunidade e o privilégio de participar da oficina oferecida pela Caixa Cultural e o Linhas e Travessias, “História dos impressos literários brasileiros” ministrado pelo Daniel Zanella, editor do jornal RelevO. Durante os três dias de oficina eu aprendi muito mais do pouco que já sabia sobre os grandes periódicos do Brasil.

Queria poder trazer todo o conhecimento que o Zanella passou nos dias, porém é muita informação e esta coluna ficaria demasiadamente grande, o que não é muito legal. Então resolvi pegar os principais jornais de cada época e falar um pouco de cada um.

Cabrião
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O Cabrião foi o primeiro periódico brasileiro, a utilizar a caricatura como uma forma de sátira política. Ele circulou de forma semanal durante os anos de 1866 a 1867, no período do segundo reinado, totalizando 51 números. Publicado por Angelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manuel dos Reis Contou também com a colaboração do caricaturista Huáscar Vergara e do abolicionista Luiz Gama.

As contradições entre uma cidade em processo acelerado de urbanização e as permanências da tradição, entre o aumento da população que se pretendia culta e a inexistência de espaços de sociabilidade, entre um país civilizado e a violência da escravidão davam o tom das críticas apresentadas no jornal. A marcante religiosidade e a forte presença do clero na vida pública e particular dos paulistas, por exemplo, foi diversas vezes tematizadas pelo Cabrião. Não raro os padres figuram como personagens corruptos e oportunistas.

Klaxon

O principal propósito da revista foi servir de divulgação para o movimento modernista, e nela colaboraram nomes como Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Sérgio Buarque de Holanda, Tarsila do Amaral e Graça Aranha, entre outros artistas e escritores.

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Também destacam-se na revista a busca pelo atual; o culto ao progresso; a concepção de que a arte não deve ser uma cópia da realidade; aproveitamento das lições de uma nova arte em evidência, o cinema.

Foi uma revista mensal de arte moderna que circulou em São Paulo de 15 de maio de 1922 a janeiro de 1923. Seu nome é derivado do termo usado para designar a buzina externa dos automóveis.

Pasquim

Este semanário começou dentro da ditadura e terminou no inicio da nossa redemocratização. Entre junho de 1696 e novembro de 1991 o Pasquim foi um dos maiores periódicos da contracultura e forte oposição ao regime militar.

Além de um grupo fixo de jornalistas, que incluía Luiz Carlos Maciel, a publicação contava com a colaboração de nomes como Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa, Carlos Leonam e Sérgio Augusto, e também dos colaboradores eventuais Ruy Castro e Fausto Wolff. Como símbolo do jornal foi criado o ratinho Sig (de Sigmund Freud), desenhado por Jaguar, baseado na anedota da época que dizia que “se Deus havia criado o sexo, Freud criou a sacanagem”.

Já de inicio o jornal foi audacioso, com um tiragem inicial de mais de 20mil exemplares, que foram esgotados em poucos dias. Após seis meses de sua primeira publicação e com nomes fortes do cenário cultural como Ziraldo e Millôr, o semanário chegou a marca de 250mil exemplares.

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Nicolau

Nos dez anos em que circulou, entre 1987 e 1996, o suplemento cultural Nicolau foi um farol no caos da inteligência brasileira no período da redemocratização. O jornal editado em Curitiba alcançou tiragem imensa, manteve um grupo diversificado de colaboradores e apostou em um jornalismo caprichoso e artesanal, pautado pela reportagem, grandes entrevistas e espaço generoso às artes visuais e à poesia.

O Nicolau foi fruto de um esforço coletivo de Luiz Antônio Guinski, Joba Trindade, Wilson Bueno, Josely Vianna Baptista, Nelson Bond, Adélia Maria Lopes e muitos outros talentosos colaboradores, como Paulo Leminski, Jamil Snege, Manoel Carlos Karam e Miltom Hatoum. A identidade visual do jornal virou referência no mercado editorial nacional.

O que temos para hoje

Atualmente temos impressos muito importantes como o Piauí, Acrobata, Rascunho, RelevO, Madame Eva, Cândido, Revista 451 e tantos outros mais regionais que cumprem o seu papel de divulgar a literatura e a arte.

Para a coluna de hoje pensei justamente em dar um panorama geral dos que foram os principais jornais, partindo do início da nossa pátria até a contemporaneidade. Talvez mais para frente eu faça uma nova postagem dando foco aos principais impressos atuais.

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Até a próxima semana que será a postagem da nossa leitura do mês de março.

Paulo Souza

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Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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