Tautologias Literárias

Para esta semana trago um texto mais reflexivo e abstrato. Um pensamento sem conclusão que gostaria de compartilhar com você. Nada e tudo do que falarei hoje é definitivo, e nunca será, mas espero que cheguemos mais perto de uma conclusão.

O que me vem causando grandes pensamentos nos últimos tempos é a relação autor-mercado-público. Vivemos na época da facilidade de se tornar qualquer coisa pública, de se ter a informação em um clique e da dificuldade de se ter acesso ao que é publicado. Antigamente procurávamos a agulha no palheiro, hoje são tantas agulhas no palheiro que procuramos o fiapo de palha.

É um paradoxo quase que insolúvel em sua própria existência, hoje o ato de publicar uma nova obra é inversamente proporcional a dificuldade de torna-la pública. No caso dos autores independentes e das editoras independentes a proporção pode ser até mais pesada. Vivemos na era da informação e nunca foi tão difícil fazer a informação chegar onde ela deve. Incoerências da vida moderna.

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Voltar ao discurso de que não temos leitores, de que existem muitas editoras que são caça níqueis, e de tudo o mais que sempre vêm é quase que o querer enxugar gelo. Ao mesmo tempo que não temos leitores, existem livros best-sellers internacionais quase que esgotados em nossas livrarias. Ao mesmo tempo em que temos poucas editoras que trabalham de forma competente não temos leitores para esgotar livros de autores de nossas terras. Seria um problema de marketing? Seria um problema de distribuição? Ou seria um problema de que somente quem tem dinheiro consegue realmente tornar algo publicável nos tempos da informação?

Acho que para todas as perguntas a resposta é sim, não sei quanto a você, mas além do sim ainda temos o fator “amizade editorial” que pode tornar determinado autor ou autora mais publicável por conhecer ou ser amigo de um amigo de um editor importante. Na era da informação ter um “publicável público” é mais complexo do que somente jogar na rede. Claro que existem os pontos fora da curva, os excepcionais que sempre existiram, o um em um milhão. Ter o “sol que é para todos” somente para você. Se você não é essa pessoa, voltemos aos nossos assuntos tautológicos.

Aqui começamos a ver que o estar a um clique de distância pode representar uma distância mais inalcançável do que a viável. As vezes me sinto em um mar de gritos de “leia meu livro” que muitas vezes prefiro ficar calado e tentar entender a corrente desta rede digital para nadar melhor, mas muitas vezes, por mais que tente e nade, nada faço. Ou muito pouco me movimento, o que é o bastante por hora e não é mesmo tempo.

E de todo este texto que trago hoje, tenho a certeza que muito pouco sei, e que por mais que não queira admitir este assunto de ter algo publicado em uma era que isso não o torna de fato público é um assunto tautológico. Será sempre a mesma coisa dita com palavras diferentes.

Paulo Souza

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Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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