Profissão escritor

Com uma semana tumultuada no meio literário, com denúncias contra uma editora que estava falsificando ISBN e uma autora acusada de romantizar a escravidão no Brasil, resolvi por bem não abordar estes assuntos diretamente, mas falar sobre a ação de um escritor profissional.

Já quero deixar claro que o direito de escrever é inerente a qualquer um. Todos temos o direito de ler e escrever da forma que melhor decidirmos, porém não são todos que tem o direito de se auto proclamarem como profissionais da escrita.

Veja bem, irei fazer um paralelo.

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Existem os jogadores de futebol de final de semana, que jogam, sabem das regras, sabe como jogar mas estão longe de ser jogadores profissionais e reconhecem essa limitação. Dado este exemplo posso joga-lo para qualquer meio que sempre irá existir o respeito do praticante de hobby em relação ao profissional, entretanto, este mesmo respeito não existe no meio da escrita. Muitas pessoas que utilizam sites de compartilhamento de textos, plataformas de auto-publicação e entregam um texto longo se sentem no direito de se rotular como escritores profissionais. A realidade infelizmente é muito longe disso.

Eu compreendo que a escrita é uma das formas de arte que não existe a barreira do diploma para que se pratique ela. Compreendo também, que a literatura esta presente em muitas pessoas que a conseguem praticar de forma intuitiva e profunda e sou muito feliz por existirem essas pessoas. Porém, hoje com a liberdade de distribuição eletrônica de textos, os conceitos de “escrevo por hobby/prazer” e “escrevo profissionalmente” foram quase que perdidos.

Irei me atentar ao conceito profissional, escrever por prazer é seu direito, então use e abuse. Porém quando nos colocamos como trabalhadores deste ofício da escrita precisamos nos atentar em um importante tripé: Olhar, Trabalhar e Repercutir.

De forma bem superficial, é neste tripé que o escritor e escritora terão seu trabalho considerados, analisados e submetidos ao resultado de serem ou não profissionais. A escrita começa com o olhar de seu interlocutor, a observação de nuances da rotina e a capacidade de expor críticas dentro de um texto ficcional é o que fazem a diferença em uma história. A inspiração é somente o primeiro passo de uma jornada de trabalho exaustivo de escrita, revisão, escrita e revisão de formas sucessivas até o ponto aceitável. Se até este momento o trabalho tiver caminhado de uma forma satisfatória, o que é raridade, o escritor conseguirá entregar uma obra que repercutirá de alguma forma dentro da sociedade.

E isso falando de forma bem superficial, pois o ajuste deste tripé para que ele fique nivelado é: leitura, estudo, treino e horas e mais horas gastas no aperfeiçoamento de uma técnica de escrita única, nunca haverá escritores que escrevem igual, mesmo utilizando técnicas similares. E é neste ponto que eu quero chegar, a diferença entre profissional e hobby é o tempo gasto para o aperfeiçoamento. Até mesmo os gênios da literatura tiveram inúmeros livros escritos para que um fosse sua obra prima.

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Hoje, ser escritor profissional vai além de escrever um livro e comercializa-lo. Continuamos com as mesmas missões de retratar nossa época, apontar críticas, criar histórias que estimulem a leitura, nos posicionarmos perante a sociedade como agentes de transformação e entregar ao final um livro que ainda proporcione prazer e lazer ao leitor. Porém muitos esqueceram que com esta profissão vem uma carga de estudo e leitura muito acima da média para quem escreve como hobby.

Eu sou super favorável a todos que queiram entrar no mundo da escrita de forma profissional, mas faço um apelo. Não entre pelo ego de ter um livro com o seu nome impresso na capa, você pode ficar cego e cair nas mãos de uma editora que te dê um golpe ou não registre corretamente o seu ISBN. Não entre pelo impulso de escrever algo rápido e sem a devida atenção, escrita requer tempo e dedicação, caso contrário você poderá entregar um livro ainda não completo e o público no geral não perdoa este erro.

Seja consciente que suas palavras podem atingir várias pessoas em níveis estruturais que você nem sabe que existem, que suas palavras podem ajudar vidas ou destruí-las se feitas de maneira irresponsável. Respeite a literatura que ela irá te respeitar de volta.

Paulo Souza

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  • “Hoje, ser escritor profissional vai além de escrever um livro e comercializa-lo. Continuamos com as mesmas missões de retratar nossa época, apontar críticas, criar histórias que estimulem a leitura, nos posicionarmos perante a sociedade como agentes de transformação e entregar ao final um livro que ainda proporcione prazer e lazer ao leitor. Porém muitos esqueceram que com esta profissão vem uma carga de estudo e leitura muito acima da média para quem escreve como hobby.” Uma verdade indômita.

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Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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