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Literarte

Para que serve a Literatura sozinha?

Brasília de Fato

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Texto de autoria de Elias Daher, colunista da coluna LiterArte de setembro de 2016 a junho de 2017

Todos nós reconhecemos que a Literatura pode mudar o indivíduo: O problema é como fazer para torná-la um produto atraente, que as pessoas queiram consumir. No final da década de 60, os festivais da música fizeram surgir muitos compositores, porque a grande mídia dava glamour ao evento e esse ficou conhecido como um período fértil para a música do brasil. Quando o Guga ganhou um campeonato mundial de tênis, as crianças foram para as ruas empunhando raquetes, influenciados pelo atleta que foi transformado em ídolo.

Falta glamour à Literatura, apenas isso. Um concurso literário apoiado por pelo menos uma emissora de televisão, poderia dar visibilidade e fama aos escritores, da mesma forma que o big brother faz com seus participantes. Da mesma forma que o The voice faz com os candidatos. Nossa sociedade não cria nenhum incentivo à produção literária, as secretarias municipais não tem o livro em seu elenco de prestação de serviços públicos: falam em circo, em teatro, mas raramente incluem o livro em seus editais.

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Se incentivarmos, pode ser que apareçam novos artistas, com o mesmo quilate de um Monteiro Lobato, um novo Machado de Assis, quem sabe: sabemos que ele existe, mas não damos subsídios para ele aparecer e mostrar sua arte.

No entanto, por uma estranha razão, os governos e as estações poderosas não vão agir para fomentar a cultura. Platão, em 300 a.C., reclamava que a juventude não se interessava por poesia. O cenário não mudou muito de lá pra cá: são poucos os jovens que se interessam por grandes poetas como Camões, Pessoa, Neruda, T.S. Eliot, Ezra Pound. Mas algo pode ser feito para tornar a Literatura mais palatável, mais atraente aos olhos dos jovens.

Vinicius de Moraes fez isso: através da música, fez com que poemas belíssimos ficassem conhecidos pelo grande público. Do contrário, seria apenas mais um gênio, como João Cabral ou Drummond, que são reconhecidos, mas não são conhecidos. (reconhecidos porque todo mundo sabe que eles são gênios, mas na verdade, quase ninguém conhece ou procura conhecer a obra deles).

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Fagner também abriu as portas da Literatura através de sua música: musicou canteiros de Cecília Meirelles (o que lhe rendeu até um processo, devido a falta de autorização), também pôs melodia em Traduzir-se, de Ferreira Gullar. Fanatismo, de Florbela Espanca, Qualquer música, de Fernando Pessoa e muitíssimo mais. Por causa do Fagner, muita gente teve acesso à Literatura sem se dar conta disso. Pensavam que estavam “apenas” ouvindo música.

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