PEROLITAS IGUAÇUENSES XII

Por Gilberto Rios

PANOS PARA MANGAS RETALHOS PARA CAPANGAS

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Eu havia escrito na semana posterior a posse do diretório do PSL de Foz do Iguaçu um artigo intitulado muito Barulho por nada e assinei com o pseudônimo de W.S. para o portal Paraná Divulga. Este artigo nos parece que gerou desconforto a um servidor da Prefeitura o Senhor Washington Sena que muitos acharam que ele por ser jornalista era o autor do referido artigo. Não sei de onde surgiu tal ligação com o jornalista, mas já escrevi vários artigos com esta assinatura. W. S. era a forma como William Shakespeare assinava no início de carreira as suas obras. Muito Barulho por nada inclusive virou filme em Hollywood.

ESCLARECENDO

Estive pessoalmente com o servidor Washington Sena e lhe tranqüilizei sobre a matéria. Enfim, para que as partes que se sentiram prejudicadas tenham o direito de resposta garantida na Constituição Brasileira, segue o artigo na minha coluna que restabeleci nesta semana.

Quando a traição está acima dos enamorados, Foz não precisa disto!

Sexta-feira dia 02 de agosto no Hotel Foz do Iguaçu foi dado posse a nova Executiva do PSL desta cidade. Com um público razoável e composto na sua grande maioria por empresários e alguns simpatizantes a executiva comandada pelo D. Raniere finalmente foi empossada. A entrada das bandeiras no recinto que deveria ser para todos algo impactante foi simplesmente assustador e demoramos a acreditar no que estava vendo. Ela me remeteu a um documentário em Slides nos idos dos anos 90 no curso de Jornalismo em Porto Alegre feito por um colega sobre o nazismo. Este documentário em slides citava o Círculo Paranaense do Partido Nazista que surgiu no Brasil do século XX na cidade de Curitiba, precisamente em 1930. Quando organizamos um evento deste porte, tem que se ter cuidado com determinados símbolos trazidos principalmente com as informações relâmpagos das redes sociais acusatórias onde todos viraram iluministas. Lembrando aos desavisados, não estou questionando a entrada das bandeiras do Brasil, do Paraná e de Foz do Iguaçu e sim a forma da sua condução.

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Neste Brasil polarizado por uma disputa odiosa entre a esquerda e a direita onde o critério da Intolerância perpetua nos dois lados, faz hoje famílias se desintegrarem e a desrespeitarem a nossa jovem democracia e a nossa constituição. Para a esquerda os integrantes do PSL flertam com a ideologia fascista e esta pencha dada ao partido será difícil de apagar em função desta nova ordem de fazermos política, mas aquela entrada da bandeira teve tudo a ver e parece-nos que alguns membros ali até faziam questão de assumir e isto foi preocupante.

Para a direita, a esquerda esquartejou e acabou com o Brasil, roubou milhões dos brasileiros e eu também comungo deste pensamento, mas não diria que foi somente um partido. O conjunto dos partidos brasileiros que inclusive tem deputados no PSL que respondem, que fizeram caixa 2 e foram perdoados porque exerceram o poder do pedido de perdão e um juiz hoje ministro á época assim o fez, perdoando por conveniência ideológica, era uma nova senha para todos os moralistas se calarem. Notem que a outra senha foi uma simples entrada de bandeira onde com certeza a maioria da executiva não se apercebeu da grandeza do projeto da extrema-direita transvestida de direita, está a meu ver sendo, inocentes úteis, nome da “tal” moralidade política deste grupo.

O mestre de cerimônia com bastante lucidez percebeu aquele início constrangedor das entradas das bandeiras e donde ele se encontrava, ele detinha uma visão privilegiada. Logo ele percebeu o choque da platéia com aquela situação da condução das bandeiras, não havia duvida com o constrangimento de alguns presentes. Demorou um pouco para o negócio engrenar em função do caso da bandeira, muita gente sabe ou já leu sobre este filme e não quis acreditar no que via. Mais uma vez o mestre espertamente salvou o PSL daquele aperto. Para cada ato ele passou a solicitar uma batida de palmas, não foi algo espontâneo inicialmente, pois ele solicitou mais duas outras vezes. Confesso-lhe que muita gente ao meu lado sentiu-se constrangidos e não bateram as palmas iniciais pedidas. Após o seu terceiro pedido de palmas, o público assim o fez quando se sentiu mais a vontade na sua descontração e recuperando-se do susto inicial.

Enquanto o mestre de cerimônia discorria sobre a posse, um batalhão de fotógrafos percorria fileira por fileira fotografando todos os presentes sem exceção, fato que achei repugnante, pois com a lista de presença associada às fotos por fileira e não do ambiente constrangia mais ainda, afinal era um ato público de um partido e não uma reunião fechada com a sua executiva. Tanto era que havia várias pessoas ali de outros partidos para serem constrangidos daquela forma. Alguns políticos foram lá curiosos por um chamamento público do PSL que hoje aloja o mandatário deste país, Jair Messias Bolsonaro para uma futura aliança quem sabe. Mas, o que pensar sobre isto?

Após o ato de juramento dos membros e alguns discursos dos participantes chegou à vez do presidente do partido usar a palavra. O odontologo Raniere e pré-candidato pelo PSL por Foz do Iguaçu abriu a sua caixa de ferramentas de maledicência e deixou vir à tona expondo o siso em seu discurso em vez de arrancá-lo. Com uma verborragia segura, o pré-candidato permeou “entre suásticas e pinheiros”, pois se alguém autorizou os fotógrafos a identificar fila por fila os participantes daquele evento para uma futura identificação, tinha nome e sobrenome está autorização. Porque não uma foto geral? Foto de um todo ou mesmo fotos normais de grupos. Este era o método inicial do partido de Hitler e os senhores não podem negar que o Fuhrer agia desta forma para depois confrontar com lista de presença quem era os seus algozes a história não nos deixa mentir, reparem como as bandeiras eram conduzidas pelos nazistas e depois compare. Explicado do porque citei suástica, vamos discorrer sobre os pinheiros.

Inicialmente o pré-candidato biblicamente negou ser político, assim como Pedro. Mas o Raniere não é Pedro, apesar de ter se postado discretamente como tal no seu discurso, poucos perceberam, porque estão tão embriagados com a dicotomia do ódio contra a esquerda que não se aperceberam que estão num projeto extremista de direita e não num projeto de direita. Adoraria ter visto o dentista nos discursos feitos na época do PT para comparar com o de sexta. Aliás, sobre o PT onde ele rebatizou como o Partido das Trevas, sendo recriminado por um rapaz sentado do meu lado que fez o seguinte comentário, “ Saiu das Trevas para o Partido do Suco de Laranja”? Sorrirmos com o comentário dele e percebi que eu não era único descontente até aquele presente momento decepcionado com tudo aquilo

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Há de se ter cuidado em eventos deste porte, pois ali o rapaz finalizou o seu comentário, chamando de candidato Melancia, verde por fora mais vermelho por dentro e assim como o Raniere fez uso da Biblia e eu de Pedro, ele também vai negar. Quem um dia foi numa reunião do PT mesmo para cobrir um evento percebeu a familiaridade do discurso, ele de fato saiu do PT, mas o PT ainda enamora com ele, diria um Freudiano.

Para justificar que um dia foi Petistas, o nobre presidente e dentista do siso aberto na nossa sociedade dos caminhões do exército, se postou como vítima. Se vitimizar na política é sinônimo de “oportunismo” aprenda isto e para complicar o senhor me saiu com o seguinte argumento. “Até o nosso presidente um dia foi enganado votando no Presidiário”. Daí ocorreu-me algumas questões para perguntar ao pré-candidato a prefeito do PSL. Quando foi que o senhor saiu do PT mesmo!? Ah, quando descobriu que era Trevas!? Não havia necessidade de jogar para a platéia só porque o senhor foi provocado nas redes sociais nesta semana, o tiro foi no pé, pois pessoas honrosas e que querem a decência independente do viés ideológico, não compra este seu discurso. O passado político visto por todos não muito distante, ainda está na memória do povo Iguaçuense e já estamos fartos com este jogo dicotômico criado pela extrema direita no intuito de jogar toda a culpabilidade na extrema esquerda para que o seu projeto seja vitorioso. Vocês apenas se esqueceram que tem vida fora deste mundo (direita versus esquerda), que ainda tem vida pensante na linha debaixo do equador.

Dito isto, muitos brasileiros querem fugir desta polaridade sustentada no discurso odioso do referido dentista postulante a prefeito da nossa Foz. Mas como sou movido a frases e pensamentos, citarei uma do Bertold Brecht para refletirmos aquela noite. Dizia Brecht “ Que o homem se adapta ao meio e a situação em que Vive” e assim o senhor se postou ao sair do PT para ser o mandatário do PSL local. Ao se referir o PT com a alcunha de Partido das Trevas jogando todos que lá estão no PT numa vala comum inclusive os seus eleitores, o senhor se postou de forma reprovável e oportunista, dando ao PT ou ao Partido das Trevas como o senhor chamou o direito de dizer que preside localmente o Partido do Suco de Laranja, para mim serão respeitosamente o PSL e o PT. É assim que os políticos devem tratar os seus adversários, com respeito e será assim que os Iguaçuenses vão cobrar dos seus candidatos, postura ética.

Não foi isto que percebemos naquela noite, o senhor em nome deste projeto extremista tocou mais fogo na intolerância com está sua fala inoportuna, trazendo a tragédia bufônica nacional para dentro do nosso município de Foz do Iguaçu. Isto não nos interessa, a sua fala odiosa que permeia hoje o Brasil, abre aos ditos pelo senhor como Partido das Trevas e seus eleitores o direito constitucional ao contraditório e nós estamos fartos disto, não queremos isto na nossa cidade, queremos projetos de políticas públicas estruturantes, lembre-se da próxima vez!

Neste momento de turbulência nacional na política, adoraria Raniere ter visto em você um candidato com perfil da mudança e não um cidadão que quer meter a nossa cidade nesta angústia que passa o país. Fiquei decepcionado com o seu discurso, achei que o senhor seria uma novidade e descolaria do discurso de ódio ocorrido nas eleições do ano passado e passaríamos a te olhar com um novo olhar para o nosso município. Quem hoje não tem dentre seus entes queridos um parente que votou no PT ou amigos de coração? O futuro prefeito desta cidade terá que governar para todos, inclusive se o PT não ganhar, para os eleitores petistas também, para os eleitores segundo o senhor “das trevas”, para aqueles que querem uma cidade mais humanizada e percebi que o seu discurso de ódio não combina com o perfil da nossa Foz do Iguaçu.

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Aqui recebemos ateus, judeus, cristãos, brancos, índios, pardos, mulatos, mamelucos, orientais e inclusive pessoas intolerantes como o senhor. Convivemos com 89 etnias, este é o perfil da nossa cidade, são todos bem vindos! “Nenhum empresário vai ousar a colocar uma tabuleta na sua porta com os dizeres: Aqui não hospedamos os eleitores das trevas” a minha família e amigos detentores de hotéis não vão fazer isto e não nos peça para fazermos o pacto com a mediocridade que não iremos pactuar.

Não nos interessa esta briga nacional para o nosso município. Esta cidade elegeu Chico Brasileiro em conjunto com vários partidos de esquerda e muitos que estavam na sua posse do diretório votaram no Chico ou no Phellipe Mansur, sabe por quê? Pelo acolhimento, somos uma cidade turística. Por falar em Mansur, o mesmo fez campanha para Bolsonaro, o deputado estadual Soldado Fruet que tem todo o direito de se candidatar se assim quiser também o fez, o pré-candidato do Partido Novo também, Ricardo Albuquerque pelo PV idem, a Bebiano Orsi presente no seu evento também e poderia aqui citar tantos outros nomes que irão concorrer contigo neste pleito, todos eles votaram no Bolsonaro. Percebes que a cidade não quer o debate nacional e sim soluções para os seus problemas? Duvido que muitos dos meus amigos empresários que ali estavam na sua posse abram a sua boca para falar mal do Chico ou mesmo do Piolla, a viola em Foz toca diferente.

Outro fato que nos chamou atenção no seu discurso, foi à forma como se referiu ao atual presidente da Itaipu Joaquim Silva e Luna. O presidente da Itaipu foi colocado numa tremenda saia justa com a sua fala e confesso-lhe que, se eu tivesse em um grupo político iria interpelar está fala judicialmente solicitando maiores esclarecimentos. O senhor deixou a entender para todos os presentes que teria o apoio de Itaipu na sua candidatura, não, o senhor e nenhum outro candidato tem o apoio de Itaipu. O senhor poderá ter o apoio do cidadão e ex-colega de farda que preside hoje Itaipu e não da forma como foi dita aos presentes, sua fala foi de duplo sentido e isto ganhou um nome na modernidade, Fake!

Não vou falar da ministra Damares citada pelo senhor do qual tenho reservas, ela que tirou dos mais necessitados de Foz os brinquedos aprendidos levando este ano para o Marajó. Desafio-te a ir ao Bubas e contar isto para as mães que este ano os brinquedos não serão mais doados aos seus filhos como de costume. Não satisfeito com estas observações citadas e todas verídicas, haja vista que logo no início o senhor se postou como um “não político” finalizo: Já que o senhor em nenhum momento se preocupou com as questões locais em seu eloqüente discurso de não político se postando como terceira via odiosa, vou agora te dizer. O Senhor nacionalmente é primeira via lembre-se disto, mas te diria que aqui seria segunda via.

No canto do lado oposto ao meu, estava o cidadão que preparou a cama para senhor se deitar, o nobre Cássio Lobato, o mesmo que muitos disseram que ele não decolou, mas que merece o meu apreço, respeito pois levou nas eleições passadas o voto de alguns familiares meus. Enquanto estas vozes do PSL vociferavam na sexta a caravana do Chico Brasileiro no sábado extraía o siso do Raniere. Simplesmente deitava e rolava no Conjunto Habitacional Vila União, carpinando e pintando o sete pelas aquelas bandas com a certeza de que não terá um adversário político oriundo do PSL do Presidente Bolsonaro. Pensando bem, fico imaginando no dia em que o senhor virar de fato um “político’ já que não se considera. Daí sim, será preocupante pois o senhor deixará o papel de dublê.

W.S

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William Shakespeare, peça Muito barulho por Nada! Uma comédia escrita em 1598/1599

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