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Conexão Pública

Comunicação pública ou institucional?

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Trabalhos apresentados durante o congresso 7º Compolítica mostram a convivência tensa entre objetivos diferentes, o público e o da instituição

(*) Cláudia Lemos

Quem trabalha na comunicação governo experimenta uma tensão permanente entre o interesse público e o interesse da instituição. Muitas vezes, na prática, a pergunta é: a comunicação deve ser transparente ou proteger a imagem do órgão?

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A discussão apareceu no 7º Compolítica, o encontro bienal da Associação Brasileira de Comunicação e Política. Dessa vez, ele ocorreu entre 10 e 12 de maio em Porto Alegre, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O Grupo de Trabalho sobre Comunicação Pública e Institucional mostrou como a área continua crescendo. Pesquisadores avaliaram, por exemplo, o uso das mídias sociais pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, os procedimentos de mobilização no Orçamento Participativo de Belo Horizonte e a campanha pela não extinção da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul.

As análises se valeram ainda de metodologias diversas, qualitativas e quantitativas, para comparar o orçamento de comunicação dos governos Dilma e Temer ou a presença no Twitter dos ministérios de Relações Exteriores do Brasil e dos Estados Unidos.

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Essa multiplicidade reaparece na coleção de artigos “Comunicação pública e política”, lançada durante o Congresso pelo Núcleo de Pesquisas da UFRGS. O volume tem mais de 700 páginas. Reúne estudos sobre práticas na área e também reflexões teóricas.

O trabalho apresentado pelos professores Edna Miola, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e Jamil Marques, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UFPR), levou para o GT do Compolítica o esforço de sistematizar a produção. Fez também uma crítica: até que ponto a variedade de abordagens e métodos não revela inconsistência?

Essa pode parecer uma questão muito esotérica, que só interesse a especialistas. Mas ao propor um modelo para enfrentar a inconsistência de conceitos e métodos de pesquisa, os professores de certa maneira propõem também uma solução para o dilema que os profissionais vivem entre proteção da imagem e interesse público.

Para os pesquisadores, a comunicação pública praticada pelo Estado tem inevitavelmente duas dimensões. A primeira seria a democrática. Teria o objetivo de aproximar cidadãos e seus representantes, por meio de participação ou controle. Aí se encaixa tudo o que aumenta a transparência e faz prestação de contas, seja em portais, notícias ou bancos de dados. Outro aspecto da dimensão democrática é o incentivo à participação, por exemplo, por meio do uso de mídias sociais. Também se encaixaria aí o aperfeiçoamento dos serviços e a ampliação do acesso a eles.

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A segunda dimensão das iniciativas de comunicação empreendidas pelos órgãos de Estado seria a política estratégica. Aí se encaixa a preocupação com a imagem pública das instituições, em busca da confiança e do consentimento dos cidadãos. Ou seja, a convivência das duas dimensões é intrínseca à comunicação praticada pelas instituições do Estado.

Os pesquisadores tratam o uso instrumental da comunicação disponíveis ao Estado para conquistar e manter o poder político como um desvio da dimensão estratégica. Ou seja, é legítimo proteger a imagem das instituições do Estado e buscar a confiança do cidadão para iniciativas do poder público, desde que não seja ultrapassada a linha da atuação promocional, partidária ou personalista.

Se essa formulação ajuda a compreender o que vemos e fazemos na prática, então a pesquisa terá cumprido sua função.

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Serviço

Grupo de Trabalho sobre Comunicação Pública e Institucional do 7º Compolítica

Comunicação Pública e Política: pesquisa & práticas
Organizadores: Maria Helena Weber, Marja Pfeifer Coelho e Carlos Locatelli
Editora: Insular – Ano: 2017


(*) Cláudia Lemos é jornalista na TV Câmara, professora e pesquisadora no Cefor da Câmara dos Deputados.

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