Paixões de Carnaval

Paixões de Carnaval

Quem nunca viveu uma?

Vou começar o texto de hoje citando a belíssima canção Noite dos Mascarados de Chico Buarque:

Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.
Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

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Escolhi começar dessa maneira porque esses versos ilustram com maestria a tônica do meu texto. O carnaval é tido com uma festa popular onde praticamente tudo vale. Tudo é permitido. É um momento de liberação das amarras e pudores do restante do ano para muitas pessoas.
Em decorrência dessas características, toma-se, como na música de Chico Buarque, o carnaval como o contexto ideal para relações efêmeras.

As famosas relações casuais caracterizam o carnaval, que vão desde alguns segundos de beijos roubados, relações sexuais em banheiros químicos ou dentro de carros, ou mesmo, vários encontros quentes nos dias de festa.

Por outro lado, não são raros relatos de relações estáveis como namoros, ou mesmo casamentos, que se iniciaram no carnaval. Conhecer pessoas novas não é uma tarefa fácil para quem já concluiu os estudos. Muitas profissões e muitos cargos em organizações se constituem em exercício solitário. Mesmo com o advento dos aplicativos de encontros, muitas pessoas se queixam de solidão e de muita dificuldade em ampliar o círculo de amizades.

No carnaval, por sua vez, o que não faltam são interações sociais. Além disso, pessoas que raramente dizem “bom dia” para estranhos na porta do elevador mudam completamente de postura, se tornando extremamente sociáveis. Obviamente, todo o álcool consumido durante o carnaval enfraquece as inibições e aumenta a sociabilidade.

O fato de sabermos que a festa tem hora para acabar e que a regra são relações efêmeras favorece comportamentos mais espontâneos. Não nos preocupamos muito com os característicos joguinhos de sedução comuns no restante do ano. No carnaval, não nos preocupamos muito a opinião dos outros a nosso respeito. Dançamos, cantamos, bebemos muito, usamos outras drogas, falamos alto, pulamos, sem ligar muito sobre o efeito disso nas outras pessoas. Fazemos tudo isso como se não houvesse amanhã. Por mais estranho que nos pareça, essa espontaneidade e alegria é extremamente sedutora.

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As situações do dia a dia de início de relacionamentos costumam gerar grande ansiedade nas pessoas. Principalmente para aquelas que têm como meta iniciar uma relação estável. Essas pessoas geralmente acreditam que podem controlar eventos que, de fato, possuem pouco controle. Ou seja, fora evitar erros grassos, raramente afetamos com posturas nossas voluntárias o interesse de outra pessoa em iniciar uma relação estável conosco. Todo esse processo é muito desgastante e frustrante, uma vez que as festas, jantares, relações sexuais, cinemas, teatros etc. ao invés de serem contextos de relaxamento e lazer, são situações em que estas pessoas se sentem constantemente avaliadas. Sendo assim, é muito difícil agir naturalmente. O comportamento ansioso e artificial não costuma ser muito atraente.

No carnaval, por outro lado, onde tudo é festa. Tudo vale. Podemos extravasar todas as tensões do resto do ano de modo autêntico. Sem se preocupar com o amanhã e sim, apenas com o aqui agora. Sem dúvida, isso é muito divertido.

Talvez devêssemos encarar nossas relações afetivas no restante do ano como nos portamos no carnaval. Sem ligar para o julgamento do outro. Sem se preocupar no que vai dar. Sendo, de fato, pessoas autênticas, divertidas e espontâneas. Desejo a todo(a)s um carnaval muito divertido e com responsabilidade!

Afinal, seja o que Deus quiser!

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