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Terapia, terapeuta e psicólogo

Brasília de Fato

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Terapia, terapeuta e psicólogo

Frequentemente vemos nas redes sociais publicações de algumas atividades consideradas formas de terapia pelos autores das publicações como “cervejoterapia”, “a academia é minha terapia”, “terapeuta de quatro patas”, “minha terapia é correr por uma hora no parque”, entre muitas outras. Ao mesmo tempo, as pessoas dizem que vão fazer análise quando, na verdade, estão indo a um psicólogo clínico que não é um psicanalista. Além da confusão entre psiquiatras, psicanalistas e psicoterapeutas. Há ainda o exercício ilegal da profissão por não psicólogos que oferecem psicoterapia, como algumas cartomantes, pastores, garotas de programa, terapeutas holísticos etc. Com base nisso, resolvi escrever esse texto para informar ao leitor que não tem obrigação de saber, quais os limites da profissão de psicólogo, mais especificamente da de psicólogo clínico.

Vamos começar pelo mais simples. Psicólogo é aquele que concluiu o curso de graduação em Psicologia em alguma das faculdades credenciadas pelo Ministério da Educação, tendo a psicologia como habilitação. Como o diploma na mão, o psicólogo, para exercer a profissão precisa se cadastrou nos Conselhos Regional e Federal de Psicologia. Além de uma carga horária extensa, geralmente acima de 4.000 horas de disciplinas teóricas e práticas, o psicólogo precisa cursar mais de 500 horas de estágios profissionais. Atendendo a esses critérios, o psicólogo pode atuar profissionalmente em qualquer área regulamentada de atuação do psicólogo como a clínica, a escola, a organização e o hospital, por exemplo.

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O psiquiatra, por sua vez, é um médico que se especializou em psiquiatria. Por ser médico, ele é habilitado a receitar psicofármacos, como antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos, moderadores de humor etc. O psicólogo não é habilitado a fazê-lo. Para ser considerado um psicanalista, graduados devem cursar uma formação em psicanálise em dos institutos credenciados por uma das associações de Psicanálise do Brasil ou do exterior. Como a maior parte dos institutos de psicanálise no país exige apenas qualquer nível superior de seus alunos ingressantes, não é necessário ser psicólogo para ser psicanalista. Psiquiatras, psicanalistas e psicólogos atendem em consultório, porém, apenas o psicólogo pode se dizer psicoterapeuta. Ao mesmo tempo, apenas quem passou por formação em psicanálise pode fazer análise, sendo psicólogo ou não.

De modo análogo aos psicanalistas, existem outras modalidades de formações em terapias para graduados em geral que habilitam os profissionais a atenderem em consultório, como os psicodramatistas ou os terapeutas corporais, por exemplo. Todavia, assim como os psicanalistas, esses profissionais não podem se denominar psicoterapeutas caso não sejam psicólogos.

Diversas outras formações que não seguem regulamentação específica fazem trabalhos similares aos dos psicólogos clínicos, como terapeutas holísticos, terapeutas de florais, videntes, gurus, conselheiros espirituais (pastores e padres, por exemplo) entre outros. A despeito da ajuda que esses profissionais podem fornecer aos usuários de seus serviços, não é correto dizer que são psicoterapeutas ou que o acompanhamento que fazem é psicoterapia. Ademais, os conhecimentos que aplicam não decorrem de pesquisas científicas como é o caso da Psicologia. Obviamente o usuário pode achar que o conhecimento ser científico é absolutamente irrelevante, desde que ele goste do profissional que o atende. Todavia, o usuário não pode comprar gato por lebre ao pensar estar fazendo psicoterapia quando na realidade está sendo submetido a outro tipo de tratamento.

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As terapias com esses outros profissionais podem ser consideradas atividades terapêuticas. As atividades terapêuticas, que muitas vezes são recomendadas por psicólogos clínicos, constituem em quaisquer atividades que auxiliam o bem estar psicológico do indivíduo. Elas podem ser das mais diversas, como bater um papo com o personal trainer enquanto se exercita; interagir com animais de estimação; fazer as unhas; assistir Netflix; andar de patins; meditar; fazer Ioga; ler para deficientes visuais; ir para festas; gastar em um shopping; ir a museus etc. É importante notar que não é a natureza da tarefa que define a atividade como terapêutica e sim, a função que ela exerce na vida da pessoa. Realmente as atividades terapêuticas são intimamente relacionadas ao que denomina saúde mental e colaboram para o sucesso do tratamento psicoterápico. Entretanto, não se constituem em psicoterapia.

As atividades terapêuticas podem propiciar o acesso a momentos prazerosos, a momentos de relaxamento, ou mesmo, conferir sentido à vida de algumas pessoas. Porém, ao contrário de uma psicoterapia, essas atividades não propiciam o autoconhecimento, nem o desenvolvimento de novos modos mais bem sucedidos de se relacionar com o mundo. Portanto, se o seu objetivo é fazer psicoterapia, procure um psicólogo porque, nesse sentido, apenas ele poderá te ajudar.

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