Você é passivo/submisso, agressivo/abusivo ou assertivo? Parte II

comportamento

Na última coluna, falei sobre os passivos/submissos. Hoje vou falar sobre os agressivos/abusivos. Ao contrário dos passivos/submissos, os agressivos/abusivos frequentemente conseguem o que querem. Eles raramente têm problemas em defender os próprios direitos, opiniões e interesses. Apresentam facilidade em “dizer não” e em fazer críticas, justas ou não.

Com base na descrição acima, poderíamos concluir que os agressivos/abusivos são bem-sucedidos em suas interações sociais. Entretanto, o modo como se portam em contendas sociais resulta no sofrimento das demais pessoas com as quais interagem. Por exemplo, eles não dizem apenas “não” a um pedido que julgam pouco razoável, como um convite para ir às compras no sábado que precede o natal. É provável que a resposta de um agressivo a esse convite seja algo do tipo: “Você é louca de esperar que eu vá com você ao shopping lotado no sábado de tarde. Vá só que eu tenho mais o que fazer”. Por mais que essa fala do agressivo/abusivo seja eficaz em evitar a ida ao shopping, provavelmente a pessoa que fez o convite ficará magoada.

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Aparentemente, a outra pessoa ficar magoada não seria um problema para o agressivo/abusivo. Além disso, dificilmente essa pessoa convidaria o agressivo/abusivo para programas assim no futuro. Desse modo, as pessoas evitam fazer coisas que desagradariam os agressivos/abusivos em decorrência da reação adversa que provavelmente enfrentarão.

Parece que o agressivo/abusivo tem sucesso social em curto e em longo prazo. Daí fica a dúvida: se é bom ser agressivo/abusivo, uma vez que são os outros que sofrem, o que o motivaria a mudar? De fato, os agressivos/abusivos procuram menos a terapia que os passivos/submissos. Isso ocorre porque os passivos/submissos entram em contato mais cedo com as desvantagens e o sofrimento de agirem assim. Por outro lado, a vida também não é um eterno mar de rosas para os agressivos/abusivos, por uma simples razão: poucas pessoas conseguem ficar sendo maltratadas para sempre. Elas podem até não reagir, mas tentem a se afastar dos agressivos/abusivos.

Você já deve ter ouvido aqueles casos em que o chefe de um departamento não consegue manter bons funcionários trabalhando com ele. Nesse departamento, a rotatividade é alta porque ninguém consegue passar pelo assédio moral frequente desse chefe agressivo. Seguindo a mesma lógica, filhos podem antecipar a sua saída de casa, mesmo que isso resulte em uma queda no padrão de vida, por não suportarem mais os seus pais agressivos. Casamentos acabam pela mesma razão.

Como o afastamento das pessoas demora a acontecer, os agressivos/abusivos demoram mais para procurar ajuda e, na maioria das vezes, alegam que procuraram terapia por outras razões. Também é comum os agressivos justificarem o modo como tratam os outros por serem pessoas sinceras e porque odeiam falsidade. Ao perceberem que podem estar afastando os outros pelo modo agressivo que os tratam, resistem à mudança dizendo que não querem parecer falsos ou perderem a sua essência. A existência de uma “essência” de cada ser humano e a possibilidade de sua mudança são questões para lá de controversas em Psicologia e as deixaremos para outro momento.

Por outro lado, aquelas pessoas agressivas/abusivas que se dispõem a aprender novas formas de se relacionar, apresentam uma grande melhora em suas vidas sociais, acadêmicas e profissionais. E o mais importante: deixam de magoar com tanta frequência aquelas pessoas que elas dizem tanto amar.

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