Você é passivo/submisso, agressivo/abusivo ou assertivo? I

comportamento

Esse é o primeiro de uma série de três textos que abordarão as chamadas habilidades sociais. Hoje iniciaremos com os casos mais comuns em terapia e, provavelmente, mais relacionados ao sofrimento: a chamada passividade/submissão. As habilidades sociais são organizadas em um contínuo que possuem em um de seus extremos a passividade/submissão e, do outro, a agressividade/abusividade. A passividade/submissão e a agressividade/abusividade são categorias que resumem comportamentos socialmente pouco habilidosos. A assertividade se encontra no meio do contínuo das habilidades sociais e está relacionada a um grande conjunto de comportamentos descritos como socialmente habilidosos.

Para considerarmos alguém passivo/submisso, levamos em consideração o que ela faz ou deixa de fazer. Os passivos/submissos dificilmente dizem não, evitando assim, a possibilidade de frustrar o outro. Raramente fazem reclamações ou críticas, de modo a prevenirem a entrada em conflitos. Também evitam fazer pedidos diretos, uma vez que não querem dar trabalho. Eles se queixam com frequência do modo como são tratadas. Dão indiretas acerca do que desejam ao invés de meramente pedir. Por fim, oferecem ajuda sem que ao menos lhes peçam.

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O leitor pode perceber que os efeitos das atitudes do passivo/submisso no outro é o que mais importa na hora de agir. A possibilidade de desagradar o outro é inaceitável e os seus comportamentos têm como função evitar que isso ocorra. O caminho inverso também acontece quando as consequências de seus comportamentos envolvem agradar o outro. Os indícios de que estão agradando servem ao passivo/submisso como uma evidência de que é amado e os indícios de desagrado servem de evidência contrária. Ser amado para o passivo/submisso é fundamental para a sua autoestima, o que resulta numa grande dependência em relação às outras pessoas. Essa dependência compromete seriamente a autonomia do passivo/submisso, o qual, raramente faz o que quer e, frequentemente, faz o que não quer. Esse quadro está intimamente relacionado ao sofrimento e, em longo prazo, pode resultar em uma síndrome do pânico ou numa depressão, por exemplo.

Ficar só parece ser um temor comum do passivo/submisso. Quando o passivo/submisso constata que o outro não demonstra a mesma consideração por ele, se frustra, se magoa e, ao mesmo tempo, se afasta. Em outras palavras, em longo prazo, por mais que o passivo/submisso se empenhe em não ser abandonado e, consequentemente, ficar só, acaba se afastando das pessoas que o decepcionaram, ficando sozinho do mesmo jeito.

Outros textos meus nessa coluna discutiram vários exemplos de conflitos pouco úteis, além de apresentar formas de evitá-los. Entretanto, não podemos viver em função do outro e devemos aprender a identificar as situações nas quais precisamos nos posicionar. Vivemos em sociedade e devemos levar em consideração as necessidades e anseios dos outros, o que não implica em esquecermos totalmente de nós mesmos.

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