Por que é tão difícil pedir desculpas?

desculpas

Orgulho é uma palavra que possui conotações tanto pejorativas, quanto enaltecedoras em nossa cultura. Uma pessoa orgulhosa é aquela que não aceita migalhas, que se valoriza, que não se rebaixa e, ao mesmo tempo, é aquela que não pede ajuda, que muitas vezes age de modo arrogante, que não perdoa, não reconhece o erro nem pede desculpas. É claro que dei exemplos mais extremos, de qualquer forma, pode-se concluir, que ter orgulho pode ser bom ou ruim, dependendo das circunstâncias. Atitudes descritas como orgulhosas possuem relevantes implicações clínicas em Psicologia, e vou voltar a esse tema ainda algumas vezes nessa coluna. Hoje, especificamente, vou tratar da relação entre orgulho, admitir o erro e, consequentemente, pedir perdão.

Vamos analisar um exemplo comum em casais. Digamos que o marido deixa os óculos jogados em diversos locais na casa. Numa dessas oportunidades, a esposa chega cansada do trabalho e senta sobre os óculos displicentemente colocado em cima do sofá, o que resulta na quebra do objeto. É iniciada uma discussão em que o marido acusa a esposa de ser estabanada, de não ter sido cuidadosa ao sentar e de não respeitar os objetos dele. Ela, por sua vez, diz que a responsabilidade pela quebra dos óculos é dele porque ele sempre deixa os óculos e demais objetos espalhados pela casa. Ao meu ver, parece que ambos estão certos e errados, a depender do ponto de vista. Essa discussão poderia ser facilmente resolvida por um pedido de desculpas da esposa por ter sentado acidentalmente sobre os óculos do marido. Este também poderia assumir que também é, em parte, responsável pelo que aconteceu, e que deveria ter guardado melhor os óculos.

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Obviamente, se solução fosse assim tão fácil, os terapeutas de casal precisariam arrumar outro ofício para se sustentarem. Numa situação como essa, é comum ambos deixarem a resolução do problema da quebra dos óculos em segundo plano, assim como, deixarem de se preocupar em desenvolver estratégias para que prejuízos assim não se repitam. A motivação para iniciar e continuar a discussão é, boa parte das vezes, convencer o outro do seu ponto de vista. Em outras palavras, a meta é vencer a discussão, provando que estava certo. Classificaríamos a conduta de ambos, nesse caso, como orgulhosa.

É pouco provável que essa discussão resulte em uma solução útil para o casal, uma vez que esse não é mais o objetivo de ambos ao discutir. É mais provável que interrompam a discussão apenas por não chegarem a um consenso ou por alguma outra questão se interpor, como a hora do almoço ou a hora de dormir. Por algumas horas ou dias, os dois vão se tratar de uma maneira mais formal, distante e pouco carinhosa. Após esse período, é de se esperar que voltem às boas sem, entretanto, resolver o motivo central da contenda. Essa “briguinha boba”, como os casais costumam classificar, não parece, em primeira vista, se constituir numa ameaça para a relação. Por outro lado, na medida em que inúmeras “briguinhas bobas” se repetem ao longo dos anos, as implicações para a saúde do relacionamento podem ser sérias.

Admitir que pode ter errado e se desculpar em discussões desse tipo é visto como equivalente a se rebaixar e a assumir uma postura de submissão. Na realidade, a busca pela vitória na discussão e pela manutenção de um suposto status de superioridade pode obscurecer a percepção do que realmente importa. No caso, resolver o problema. Uma relação conjugal madura não é uma relação de competição por poder ou status. Relações conjugais pressupõem um compromisso com o que é bom para família e não apenas para cada indivíduo em si. Isso significa que o ceder pelo bem de todos costuma ser mais importante do estar certo.

E você, prefere estar certo ou ser feliz? Deixe seu comentário, queremos saber sua opinião.

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