“Quem não chora não mama”: O ditado popular mais pertinente.

Quem não chora não mama

Os ditados populares são formas de expressão do senso comum que, a despeito de não se tratar de um conhecimento obtido com os rigorosos métodos da ciência, descreve e confere inteligibilidade à realidade caótica. Entretanto, nem sempre o senso comum e os ditados descrevem de forma fidedigna a realidade, justamente por serem obtidos de forma empírica não sistemática.

O ditado “quem não chora não mama” e as suas variações, “o ‘não’ eu já tenho” e “quem não arrisca não petisca”, por sua vez, me parecem os mais representativos de uma realidade importante de nossas vidas. Ao contrário do que se pode imaginar, poucos de nossos empreendimentos humanos, principalmente nas relações sociais, possuem resultado certo. Se pararmos para analisar, não temos controle absoluto de boa parte do que nos acontece. Estudar para um concurso público, flertar em uma festa, fazer um bolo, enviar um currículo para conseguir um emprego, dentre diversos outros empreendimentos do nosso dia a dia, produzirão resultados que são afetados em maior ou menor medida por fatores que fogem ao nosso controle.

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O problema é que fomos levados a acreditar que se fossemos realmente competentes e esforçados, os bons resultados seriam certos. Daí segue a dedução óbvia, se os resultados não saem como o esperado, sou incompetente/incapaz ou não me esforcei o bastante. As pessoas encontram diferentes formas de evitarem chegar a essas conclusões acerca de si mesmas. Essas formas costumam trazer efeitos colaterais que culminam em demandas para psicoterapia.

As variações do ditado “quem não chora não mama” estão intimamente relacionadas a uma dessas formas. Você já se perguntou qual é a única forma infalível de evitar fracassar? De evitar ser traído? De evitar ser rejeitado em uma oportunidade de emprego? As respostas são simples: não tentar, “não chorar”, “aceitar o ‘não’ prévio” ou “não arriscar”. Por mais que sejam formas eficazes de evitar a decepção e a frustração, essa postura nos impede de atingir nossos objetivos ou conquistar nossos sonhos.

É óbvio que se você tentar algo de modo displicente e sem preparo, as chances de sucesso são menores. O que não quer dizer que tentar algo de modo focado, com empenho e com preparo seja garantia de sucesso. Isso ocorre justamente porque os resultados não dependem exclusivamente de nós. Tentar resolver problemas ligando para a sua operadora de celular pode ilustrar essa questão. A despeito de nos esforçarmos, sabermos usar um telefone, fazer reclamações, descrever problemas, fazer pedidos, raramente temos sucesso na primeira tentativa. O insucesso nessa situação raramente nos faz duvidar de nós mesmos, uma vez que a falta de controle é óbvia. Os resultados dos demais empreendimentos humanos, ainda que de modo menos óbvio, também são afetados por fatores que fogem ao nosso controle.

Aquelas pessoas que compreendem que o fracasso faz parte do processo e não é uma característica pessoal de quem fracassa têm mais chances de conseguir o que querem. Essas pessoas simplesmente tentam mais vezes. Por uma mera questão estatística, em situações incertas, quando mais tentativas ocorrerem, maiores as chances de sucesso em longo prazo. E é exatamente isso que os ditados discutidos acima nos aconselham de forma lúdica.

Viver sem se decepcionar, sem se frustrar e sem perder é apenas sobreviver. Sonhe, tente, quebre a cara e tente de novo, isso sim é viver!

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