Contar até 10 adianta?

Quem nunca ouviu a expressão: “Tive que contar até 10 para não dar uma resposta malcriada”? Não que 10 seja um número cabalístico, mas diversos estudos demonstram que quando reagimos a uma situação logo que ela se apresenta, costumamos nos arrepender no futuro. A velha máxima “não responda um e-mail de trabalho desaforado logo após lê-lo” é um exemplo disso. O texto de hoje discutirá porque vale a pena esperar um pouco antes de reagir a determinadas situações.

Em termos lógicos, o objetivo de uma discussão entre duas ou mais pessoas deveria ser resolver um problema que afeta todos os envolvidos. Por exemplo, um chefe de um departamento numa empresa pode achar que seu funcionário está demorando em demasia para cumprir as tarefas que lhe são passadas. Por outro lado, este funcionário pode achar que está sendo sobrecarregado. Uma discussão entre eles deveria ter como meta resolver a incompatibilidade entre as opiniões de ambos quanto às demandas de trabalho e aos prazos para entregá-las. Digamos que o chefe mande um e-mail cobrando uma tarefa que está atrasada e o faz de forma ríspida. Caso o funcionário, que já se sente sobrecarregado, responde o e-mail do chefe na hora que o lê, é provável que a sua resposta tenha outro objetivo além externar a sua insatisfação com a carga de trabalho. Nesse momento, a motivação pode ser fazer o chefe sentir o mesmo que ele sentiu ao ler o e-mail com a cobrança ríspida.

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Quando uma esposa vê a tampa aberta da pasta de dente pela milésima vez, a sua reclamação para o marido, quando feita nessa hora, não tem apenas a meta de que ele passe a fechar a pasta de dente no futuro. Ao ver a tampa aberta, a esposa experimenta uma série de respostas emocionais, que chamamos de raiva ou frustração. Nesse momento, por razões evolucionárias, o marido se aborrecer como ela se aborreceu se torna uma das motivações de sua reclamação, sobrepujando a meta inicial que seria a da mudança de atitude do marido. A sua reclamação, provavelmente, será grosseira e cheia de adjetivos pejorativos como “preguiçoso, mal-educado, porco etc.”. Do mesmo modo, quando o subordinado responde o e-mail do chefe assim que o recebe, pode fazê-lo de modo agressivo que pode até custar o seu emprego.

Contar até 10 ou esperar algumas horas para reagir pode fazer com que as respostas emocionais sejam enfraquecidas. Com isso, a motivação de fazer as outras pessoas sentirem-se mal deixa de estar presente e o objetivo principal de uma discussão, que é resolver o problema, pode prevalecer. Por mais que o subordinado e a esposa achem que o chefe e o marido, respectivamente, mereçam um castigo, resolver os problemas de relação deve ser a meta mais importante. Tentar fazê-lo de modo agressivo, dificilmente ajudará a resolver os problemas e provavelmente causará novos problemas talvez mais graves.

Se pararmos para pensar, a maior parte das situações não exigem uma resposta imediata. Podemos adiar a nossa reação até um momento mais adequado, o que não quer dizer que devemos deixar de reagir. Ao escolhermos o momento certo, temos mais chance do investir no que realmente é importante. O mesmo vale para brigas em redes sociais. A maioria delas começa e continua justamente por respostas imponderadas dadas de bate e pronto. Contar até 10 pode não ser o suficiente, mas esperar algum tempo é um hábito saudável para mantermos as nossas relações pessoais e profissionais.

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