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Racionamento de água chega ao Plano Piloto com corte por 10 horas

Além de a Barragem do Descoberto ter chegado ao nível mais baixo da história, cinco cidades ficarão sem água até hoje Rafael Campos A Barragem do Descoberto, que abastece dois terços da população do Distrito Federal, chegou ao nível mais baixo da história da capital […]
"Muita gente não entende por que o local está sujo. Não podemos ficar desperdiçando água com certas coisas. Agora, estamos alimentando a máquina com um copo, correndo o risco de sofrer um curto-circuito" Francisca Lopez, dona de padaria em Planaltina

Racionamento de água chega ao Plano Piloto com corte por 10 horas

Além de a Barragem do Descoberto ter chegado ao nível mais baixo da história, cinco cidades ficarão sem água até hoje

Rafael Campos

A Barragem do Descoberto, que abastece dois terços da população do Distrito Federal, chegou ao nível mais baixo da história da capital ontem, quando atingiu apenas 38,6% da capacidade. São 22 dias sem chuvas, e as temperaturas se mantêm acima dos 30ºC. Várias regiões administrativas seguem regime de interrupção no abastecimento. Nesta semana, além de São Sebastião, Planaltina, Sobradinho e Sobradinho 2, que ficaram sem água durante toda a segunda-feira, os moradores da Asa Norte não verão torneiras e chuveiros funcionando na quinta-feira, das 8h às 18h, quando o serviço será cortado (veja Regiões afetadas).

A crise hídrica é uma realidade no DF e, mesmo que precipitações estejam previstas para o começo de outubro, o que pode normalizar a situação, o cenário demonstra o quanto a omissão das autoridades e a ocupação desordenada do solo levam à possibilidade de não ter água suficiente para assegurar o abastecimento de toda a cidade. “A situação é bastante grave e gera um quadro de responsabilidade compartilhada. Vemos a possibilidade de passarmos por um momento bastante crítico em consequência das nossas ações: temos um problema de gestão de território, com mais de 500 condomínios irregulares, e isso traz um impacto enorme nos recursos hídricos”, afirma a promotora de Defesa do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira.

Nas regiões em que os cortes se tornaram fato, os comerciantes calculam os prejuízos por causa da diminuição do movimento. Um lava a jato da Estância Quinta, em Planaltina, deixou de funcionar no domingo. “Para abrir o lava a jato, preciso contratar um caminhão-pipa por R$ 80, mas o lucro diário do meu estabelecimento é de R$ 120. Não sei como vou me manter daqui para a frente”, lamenta o proprietário, Adelson Almeida, 33 anos. “Não posso seguir funcionando com tantos gastos. Tenho funcionários e contas para pagar.”
Queixa
Uma padaria da mesma região preocupa os clientes por estar com as vitrines vazias e o chão por lavar.  A máquina que produz pão tem dispositivo para borrifar, que necessita de água para funcionar, mas os empregados economizam com medo de desabastecimento. A dona do estabelecimento, Francisca Lopez, 39, relata que depende de reservatórios para abrir o comércio. “Muita gente não entende por que o local está sujo. Não podemos ficar desperdiçando água com certas coisas. Agora, estamos alimentando a máquina com um copo, correndo o risco de sofrer um curto-circuito”, diz.

Segundo a comerciante, as torneiras começaram a esvaziar na última sexta-feira. A principal reclamação dos moradores foi a falta de aviso sobre o racionamento. “Só ficamos sabendo da ação no sábado, quando estávamos sem água. Agora, temos de correr atrás para não ficar no prejuízo. A minha sorte é que tenho caixas d’ água, mas e quem não se atentou a enchê-las?”, questiona. De acordo com a Caesb, a interrupção do serviço ocorreu às 11h de ontem e duraria 24 horas.

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