Mostra exibe filmes de Helena Solberg, única cineasta mulher do Cinema Novo | Brasília de Fato

Mostra exibe filmes de Helena Solberg, única cineasta mulher do Cinema Novo

Mostra exibe filmes de Helena Solberg, única cineasta mulher do Cinema Novo

Diretora produziu 17 filmes entre longas, curtas e documentários. Em abril, ela ministra aula gratuita

Aos 28 anos, Helena Solberg abriu as portas da produção cinematográfica brasileira com a irreverência de quem seria a primeira – e única – cineasta mulher do Cinema Novo. O primeiro filme da carreira, “A entrevista”, foi lançado em 1966 com temática feminista, costurando relatos de mulheres de burguesia carioca sobre casamento, sexo e política.

Hoje, a poucos meses de completar 80 anos, Helena acumula 17 filmes – todos revestidos de engajamento político. A produção mais recente é “Meu corpo, minha vida”, lançada em 2017, que aborda a questão do aborto no Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Em 1995, veio o filme que colocou Helena em evidência no Brasil e ampliou seu destaque internacional. “Carmen Miranda – Banana is my business” foi premiado melhor filme no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro daquele ano.

Com tamanho repertório, a cineasta vem a Brasília para ministrar uma aula magna durante uma mostra que exibe, em retrospectiva, todos os filmes dirigidos por ela. A “Mostra Helena Solberg” ocorre de 3 a 22 de abril no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e as sessões são gratuitas. A palestra será no dia 14, às 17h (veja programação completa abaixo).

O evento oferece, também, dois debates com especialistas após as sessões. O primeiro será com a cineasta e realizadora Glênis Cardoso, egressa da UnB e uma das fundadoras do site feminista de crítica de cinema Verberenas. Serão comentados os filmes de temática feminista “Meio-dia”, “A entrevista” e “A nova mulher”.

Cineasta Helena Solberg com mulher do grupo Women’s Film Project,criado em Washington. Foto: Helena Solberg/Arquivo pessoal

O segundo debate será sobre o curta-metragem documental “A terra proibida” (1988), que trata das divergências religiosas no Brasil e do envolvimento de igrejas na luta por terras. O momento será conduzido pela cineasta e professora da Universidade de Brasília Dácia Ibiapina, vencedora do prêmio de melhor direção no Festival de Brasília de 2017 pelo curta “Carneiro de ouro”.

Trajetória

Aos longo de 50 anos de carreira, Helena Solberg levou adiante os princípios que constituíram o movimento Cinema Novo, como a abordagem de temas realistas, por vezes ácidos, e a inovação nas técnicas e abordagens.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


 

Na década de 1970, Helena fugiu da ditadura para os Estados Unidos, onde passou 30 anos. Nesse período, ela se aprofundou nas questões feministas – que se consolidavam enquanto movimento político no mundo.

O primeiro filme em solo norte-americano foi o documentário “The emerging woman” (1974), que reconstrói as bases do movimento feminista nos EUA e na Inglaterra por meio de manifestos, reportagens, cartas, livros e diários deixados por ativistas.

Cineasta carioca Helena Solberg, única representante mulher do Cinema Novo. Foto: Helena Solberg/Arquivo pessoal

Sobre a mesma temática, Helena dirigiu “A dupla jornada” (1975), que reflete sobre as condições de trabalho de mulheres – dentro e fora de casa – em países como Argentina e México, e “Simplesmente Jenny” (1977), sobre os sonhos de três bolivianas forçadas à prostituição.

Na terceira fase de produção, que se estendeu até a década de 1990, a cineasta avançou para questões político-econômicas e ideológicas, como o apoio dos EUA a governos de exceção na América Latina.

Ao todo, Helena dirigiu seis documentários neste período, entre eles “Das cinzas… Nicarágua hoje” (1982), uma memória da luta do Movimento de Libertação Sandinista, que fazia resistência à ditadura de Somoza, através do olhar de uma família.

O reconhecimento internacional veio em 1995, quando Helena lançou o longa “Carmen Miranda: Bananas is my business”, um documentário ficcional que remonta a trajetória pessoal e profissional da artista portuguesa radicada no Brasil. Na época, o filme foi premiado em mostras de cinco países, incluindo o Festival de Brasília.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


A cineasta carioca Helena Solberg em gravação na Argentina. Foto: Helena Solberg/Arquivo pessoal
Luz, câmera, ação

Após cinco décadas de carreira e 80 anos de idade, Helena Solberg não para de dirigir. No ano passado, lançou “Meu corpo, minha vida”, que faz alusão ao programa de assistência do governo federal. O longa levanta a bandeira da descriminalização do aborto.

A ausência do Estado também é retratada em “A alma da gente” (2013) – codirigido com David Meyer – por meio da rotina de ensaios do grupo de dança do coreófrago Ivaldo Bertazzo na Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

Helena Solberg e o fotógrafo Michael Anderson durante gravação do filme ‘Das cinzas – Nicarágua hoje’ em Manágua. Foto: Helena Solberg/Arquivo pessoal

Em 2009, Helena explorou a cultura brasileira com “Palavra (En)cantada”, documentário que reúne depoimentos de grandes nomes, como Maria Bethânia e Chico Buarque, sobre a relação da música popular com a poesia. O filme ganhou o prêmio de melhor direção no Festival do Rio daquele ano.

O primeiro longa desta nova fase de produção de Helena foi a ficção “Vida de menina” (2004), baseado no livro-diário de Helena Morley, “Minha vida de menina”.

Cena do filme ‘Vida de menina’, lançado por Helena Solberg em 2004, baseado no livro-diário de Helena Morley. Foto: Helena Solberg/Arquivo pessoal
Mostra Helena Solberg

Terça (3)
19h30 – “Carmen Miranda: Bananas Is My Business” (92′, 1994, 35mm) / 14 anos

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Quinta (5)
17h30 – “Das Cinzas… Nicarágua Hoje” (60′, 1982, digital) / 16 anos
19h – “Meio dia” (11′, 1970, digital), “A Entrevista” (20′, 1966, digital), “A Nova Mulher” (40′, 1974, digital) / 14 anos
*Seguida de debate com Glênis Cardoso

Sexta (6)
17h30 – “Palavra (En)cantada” (84′, 2009, digital) / 12 anos
19h30 – “Chile: Pela Razão ou Pela Força” (60′, 1983, digital) / 16 anos

Sábado (7)
17h – “Terra dos Bravos” (58′, 1986, digital) / 14 anos
19h – “Vida de Menina” (101′, 2004, digital) / 14 anos

Domingo (8)
17h – “Carmen Miranda: Bananas Is My Business” (92′, 1994, digital) / 14 anos
19h – “Simplesmente Jenny” (32′, 1977, digital), “A Dupla Jornada” (54′, 1975, digital) / 16 anos

Terça (10)
19h30 – “Brasil em Cores Vivas” (30’, 1997, digital), “A Alma da Gente” (80′, 2013, digital) / 14 anos

Quarta (11)
19h30 – “Retrato de um Terrorista” (28′, 1985, digital), “A Conexão Brasileira” (58′, 1983, digital) / 16 anos

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Quinta (12)
17h – “Meu Corpo Minha Vida” (73′, 2017, digital) / 16 anos
19h – “A Terra Proibida” (58′, 1990, digital) / 16 anos
*Seguida de debate com Dácia Ibiapina

Sexta (13)
17h30 – “Palavra (En)cantada” (84′, 2009, digital) / 12 anos
19h30 – “Das Cinzas… Nicarágua Hoje” (60′, 1982, digital) / 16 anos

Sábado (14)
17h – Aula Magna com Helena Solberg (com tradução em Libras) / Livre
19h30 – “Meio-dia” (11′, 1970, digital), “Vida de Menina” (101′, 2004, digital) / 14 anos

Domingo (15)
17h – “Simplesmente Jenny” (32′, 1977, digital), “A Dupla Jornada” (54′, 1975, digital) / 16 anos
19h – “Brasil em Cores Vivas” (30’, 1997, digital), “A Alma da Gente” (80′, 2013, digital) / 14 anos

Terça (17)
19h – Mesa-redonda “Atuação feminista e criação cinematográfica” / Livre
*Com as professoras Roberta Veiga e Florence Dravet

Quarta (18)
19h30 – “Meio-dia” (11′, 1970, digital), “A Entrevista” (20′, 1966, digital), “A Nova Mulher” (40′, 1974, digital) / com legenda descritiva / 14 anos

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


 

Quinta (19)
17h – Vida de Menina (101′, 2004, digital) / 14 anos
19h30 – Carmen Miranda: Bananas Is My Business (92′, 1994, digital) / 14 anos

Sexta (20)
17h30 – “Chile: Pela Razão ou Pela Força” (60′, 1983, digital) / 16 anos
19h30 – “Terra dos Bravos” (58′, 1986, digital) / 14 anos

Sábado (21)
17h – “Retrato de um Terrorista” (28′, 1985, digital), “A Conexão Brasileira” (58′, 1983, digital) / 16 anos
19h – “A Terra Proibida” (58′, 1990, digital) / 16 anos

Domingo (22)
17h – “Meu Corpo Minha Vida” (73′, 2017, digital) / 16 anos
19h – “Meio-dia” (11′, 1970, digital), “A Entrevista” (20′, 1966, digital), “A Nova Mulher” (40′, 1974, digital) / com legenda descritiva / 14 anos
*A mostra inclui sessões com legendas descritivas.

Debates

Quinta (5)
19h – Exibição de “Meio-dia”, “A entrevista”, “A nova mulher”, seguida de debate com a crítica Glênis Cardoso

Quinta (12)
19h – Exibição de “A terra proibida”, seguida de debate com a profa. Dácia Ibiapina (UnB)

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


BDF na Rede

         

PUBLICIDADE

Agosto, 2018

Filtrar eventos

30jun(jun 30)18:0009set(set 9)00:00Na Praia ° 2018

PUBLICIDADE
X

Send this to a friend