Primeiro dia da Mostra Brasília terá reflexão sobre o sistema prisional

Com UrSortudo, o diretor Januário Júnior propõe a temática sob o olhar dos apenados. Documentário gravado na Estrutural também levará o assunto ao 50º Festival de Brasília nesta segunda-feira (18)

O sistema prisional brasileiro será temática recorrente no primeiro dia da Mostra Brasília, no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Focado no processo complexo pelo qual passam muitos dos sentenciados mesmo depois do fim da condenação, o diretor Januário Júnior, de 39 anos, leva o assunto ao Cine Brasília, nesta segunda-feira (18).

Em UrSortudo, um dos seis curtas (veja programação) que serão exibidos nesse dia, ele conta a história de Naldo, um homem que foi preso por engano e sofre as consequências de ter passado pelo cárcere.

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“Ele perdeu a esposa, a filha, o emprego, tudo, e ainda é culpado pela sogra pelas coisas ruins que aconteceram na vida dela”, adianta o diretor.

Desolado com as implicações da punição, o protagonista tenta se aproximar da filha por meio de uma fantasia de urso gigante que ganhou em uma rifa.

A ficção de 15 minutos de duração chega à telona às 18h30. A programação completa da Mostra Brasília é composta por 13 curtas-metragens e 4 longas-metragens que concorrem ao 22º Troféu Câmara Legislativa.

Morador do Paranoá, o diretor aponta o encarceramento em massa como um gargalo que interfere diretamente no desenvolvimento do País. “Temos 550 mil pessoas presas. Dessas, mais de 40% aguardam julgamento. Há aquelas que estão presas por custódia, e outras, por engano”, enfatiza Januário.

A temática tem como objetivo evidenciar os estigmas carregados por aqueles que já estiveram no cárcere no Brasil, sejam eles presos de forma justa ou não. “Esse é um problema latente da nossa população e precisamos passar vergonha juntos para entender isso”, avalia o diretor do curta-metragem.

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O projeto foi possível com financiamento de R$ 80 mil do edital Curta Afirmativo 2014, do Ministério da Cultura. As gravações ocorreram em setembro de 2016, no Paranoá, e a obra foi finalizada em 2017.

Natural de Lagoa Nova (RN) e radicado em Brasília desde 2003, Januário Júnior iniciou a carreira em pesquisa cinematográfica em 2007, por influência do Festival de Brasília.

A primeira obra como diretor, A Sinfonia do desperdício, foi lançada em 2015 e ganhou na categoria experimental na mostra universitária da Bienal Internacional de Curitiba, no Paraná.

Em 2014, foi contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura para produzir A vida tem dessas coisas, obra premiada em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. É a primeira vez que o cineasta concorre na Mostra Brasília.

Documentário da Estrutural aborda a vida de pessoas que passaram pelo cárcere

Outros cinco filmes de curta-metragem integram a programação do primeiro dia da competição exclusiva para produções locais. O impacto da privação de liberdade após o encarceramento será abordado de forma real em outro curta, Vilão, de Webson Dias.

Gravado na Estrutural de forma independente, o documentário de 19 minutos apresenta a história de Diego Rodrigues e Luana Dionísia. Os dois deixaram o sistema prisional há pouco tempo e vivem as dicotomias e os problemas entre os dois mundos — dentro e fora da sociedade. “Falamos das marcas psicológicas que não acabam com o cumprimento da pena, de um sofrimento recorrente”, explica o diretor.

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“O cárcere é um agravamento da questão social que já vivem as pessoas da periferia. Não gosto de usar o termo ressocialização porque passa a ideia de que em algum momento eles fizeram parte da sociedade”, argumenta Dias. A obra, toda rodada na Estrutural, foi idealizada, produzida, gravada e finalizada em 2017.

Para o cineasta, o tema é relevante pela urgência de o brasileiro perceber que a prisão não deve significar a retirada da dignidade das pessoas. “Não existe prisão perpétua no Brasil, ou não deveria existir. A sociedade precisa parar de ver a condenação como vingança”, defende.

Para ele, o País deveria investir em políticas públicas que integrem de fato os transgressores e que amenizem a influência do sistema prisional na vida de quem passa por ele, por meio de assistência psicológica.

Aos 39 anos, o diretor que assina a produção e o roteiro de Vilão trabalha com audiovisual há mais de 15 e tem a obra voltada para as questões da periferia. Em 2016, ele concorreu na 21ª Mostra Brasília com o longa-metragem Estrutural, filme que aborda ângulos de conflitos na região desde a década de 1960.

Filmes da Mostra Brasília concorrem a R$ 240 mil

As 17 obras vão disputar R$ 240 mil em prêmios, distribuídos pelo Legislativo local. O melhor longa-metragem escolhido pelo júri oficial receberá R$ 100 mil, e o melhor longa eleito pelo júri popular, R$ 40 mil. Os outros R$ 100 mil serão divididos entre outras categorias, como melhor fotografia e melhor som.

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As obras serão exibidas de 18 a 22 de setembro, a partir das 18h30, no Cine Brasília, dentro da programação do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que vai até 24 de setembro. Os filmes serão reprisados no dia seguinte à exibição, sempre às 10 horas, na Câmara Legislativa (Praça Municipal, Quadra 2, Lote 5).

Na mostra competitiva, 9 longas-metragens e 12 curtas concorrem ao Troféu Candango e a R$ 340 mil em cachês de seleção. Na segunda-feira (18), serão exibidos na competição principal o curta-metragem alagoano As melhores noites de Veroni, de Ulisses Arthur, e o longa Café com canela, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, representando a Bahia.

Os filmes serão transmitidos às 21 horas, no Cine Brasília, por R$ 12 (inteira) a entrada. Às 20 horas, gratuitamente, no Teatro da Praça (Setor Central de Taguatinga); no Espaço Semente (Setor Central do Gama); no Teatro de Sobradinho; e no Riacho Fundo I (em frente à administração regional).

No dia seguinte à projeção, haverá ainda reprise gratuita dessas produções, às 15 horas, no Auditório 1 do Museu Nacional.


Programação do primeiro dia da Mostra Brasília
18 de setembro (segunda-feira)
Às 18h30
No Cine Brasília (106/107 Sul)
Entrada gratuita

O céu dos teus olhos, de Danilo Borges e Diego Borges, DF, 16 min

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Classificação livre

O vídeo de 6 faces, de Maurício Chades, DF, 19 min

Classificação livre

Tekoha – som da terra, de Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron, DF, 20 min

Classificação 10 anos

UrSortudo, de Januário Jr, DF, 15 min

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Classificação 10 anos

Vilão, de Webson Dias, DF, 19 min

Classificação 14 anos

1×1, de Ramon Abreu, DF, 19 min

Classificação 16 anos

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