Permanência de servidores cai por terra no Hospital de Base

Hospital de Base

Na última sexta-feira, 1 mil trabalhadores com ambas as intenções foram realocados, de acordo com a Secretaria de Saúde — sem aviso prévio.

Com a criação do Instituto Hospital de Base de Brasília, os servidores de carreira tiveram seis meses para sinalizar se permaneceriam no local ou se aceitariam uma realocação em outras unidades de saúde do Distrito Federal. Ao todo, 2.735 (85%) dos servidores disseram que queriam ficar. Outros 501 desejaram ser remanejados.

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Sindsaúde) considera as transferências arbitrárias e denunciará o caso hoje ao Ministério Público do Trabalho. Servidores contam ao JBr. que foram surpreendidos com uma carta de demissão na última semana.
Eles reclamam que não puderam opinar sobre as transferências. Um dos trabalhadores está no Base há 41 anos. Deficiente físico, ele acredita que terá dificuldades de transporte até o novo local de trabalho, o Hospital Regional de Samambaia.

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“Estava previsto”

A justificativa da pasta é de que o remanejamento estava previsto no “contrato de gestão firmado com o Instituto Hospital de Base” e que tudo está disposto na Lei 5899/2017. “Tanto a Secretaria de Saúde pode solicitar a volta o servidor cedido, quanto o IHB pode extinguir a cessão de acordo com a sua política de gestão de pessoas”, informou, em nota. Para a Saúde, os servidores realocados são os que podem exercer plenamente suas funções em qualquer outra unidade de saúde. O remanejamento é feito “em função da necessidade da população e do serviço”, afirma.

O agente de portaria Edmilson Carlos Pereira, 63, soube, por telefone, que teria de se apresentar no Hospital de Samambaia ontem. Ele trabalha no Base há 41 anos. “Eu estava de férias. Quando cheguei, recebi carta informando essa mudança. Tentei falar com a direção daqui e com a de lá, mas disseram que não poderiam fazer nada. Vou lutar pelos meus direitos”, declara.

O homem teve paralisia nas pernas quando criança e anda com ajuda de uma bengala. Tem dificuldades para andar até a parada de ônibus e, por isso, conta com caronas. Ao migrar para outra região administrativa, a principal dificuldade será o transporte. “Testei como seria ir de ônibus do Recanto das Emas, onde eu moro, para Samambaia”, conta. A viagem duraria uma hora — sem contar o deslocamento, a pé, até a parada.

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O caso foi analisado individualmente em uma reunião entre o Sindsaúde e a direção do Hospital de Base. “Como participei, deixaram que eu registrasse o ponto e ficasse aqui hoje (ontem). Minha esperança é que haja negociação e eu consiga ficar aqui, trabalhe sentado, e consiga manter o meu emprego como está”, desabafa.

‘Levamos um pé na bunda’

Outro servidor que preferiu não se identificar diz estar revoltado. “Quando me perguntaram, no ano passado, eu disse que queria ficar. A gente doa a vida pelo trabalho e de repente leva um pé na bunda”, tensiona. O homem trabalha no Base há 35 anos como padioleiro e foi transferido para o Hospital Regional de Taguatinga.

Na última quinta-feira, foi chamado pelo chefe ao final do expediente. “Ele me entregou uma carta e disse para eu passar na segurança e devolver o adesivo do estacionamento na mesma hora. Disse que, caso não me apresentasse, eu levaria falta. Deu vontade de chutar o balde”, expressa. “Ainda me elogiaram, dizendo que eu era bom funcionário. É revoltante e injusto. São anos carregando esse departamento nas costas”, define.

Para o funcionário, o ideal seria ter sido comunicado com antecedência. “Para que eu pudesse pensar no melhor para mim. Eu disse que queria ficar no Base e hoje me lembro do meu nome, nessa lista, publicado no Diário Oficial. Não vale nada”, lamenta. Ele não receberá gratificação por movimentação, trabalhará mais e demorará mais tempo para se deslocar. “Perdi a minha carona do Areal para o Plano”.
A presidente do Sindsaúde, Marli Rodrigues, acredita que as transferências infringem a Lei Complementar 840/11. “O trabalhador não foi contactado. Foi simplesmente removido às vésperas da eleição. É arbitrário e oportunista. Onde fica o respeito às vidas?”, questiona.

Denúncia

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O sindicato apresentará uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho hoje. “Para que averiguem essa remoção sem justificativa. Tem de ser investigado como um hospital desta envergadura tem centenas de funcionários expulsos num só dia. Temos um grave problema de falta de pessoal no DF. Eles farão falta”, critica.

Na reunião com a direção do Instituto, foi feita uma triagem de todos os envolvidos no problema. Segundo o Sindsaúde, a gestão prometeu que vai intermediar reuniões com a Secretaria de Saúde. Cada caso será analisado de forma individual, para respeitar as necessidades de cada servidor.

Saiba Mais

A Secretaria de Saúde não indicou porta-voz para ceder entrevista sobre o assunto. Em nota, informou que as 1 mil vagas “estão sendo preenchidas por novos profissionais celetistas, com base no Regulamento de Seleção de Pessoal do IHB”.

O regulamento prevê que cada área do hospital deverá demandar novos funcionários para os cargos. O processo seletivo será público e deverá atender aos princípios da administração pública, “em conformidade com os padrões de mercado e a necessidade de serviço”, diz o documento.

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Rafaella Panceri
Jornal de Brasília

BDF na Rede

         

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