Com o fim do racionamento, reservatórios do DF sentem o impacto

racionamento

Com a ausência de chuvas, o nível da barragem do Descoberto caiu 4,7% em pouco menos de um mês

Desde que o racionamento de água acabou, em 14 de junho, o sentimento é dúbio. Enquanto uns comemoram, outros ficam preocupados com a possibilidade de retorno, já que os próximos meses são de seca e a chuva só deve chegar na segunda metade deste semestre. Com isso, é de se esperar que os reservatórios que abastecem o Distrito Federal diminuam o nível. Um mês depois desse fim, o Descoberto está com 88,2% e o Santa Maria com 59,2% – uma redução de 4,7 e 0,9 pontos percentuais, respectivamente, desde o fim do rodízio.

A preocupação é que os sistemas cheguem a níveis tão baixos como os observados em 2017: o Descoberto, por exemplo, chegou a 5% em novembro. Para especialista, a saúde desses locais depende do volume de chuvas que cairá do fim de 2018 ao início de 2019 e do consumo consciente. Se houver desperdício, todos correm riscos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Apesar da queda observada nos dois reservatórios, a situação deles está bem melhor que no mesmo período do ano passado. Em 12 de julho, o Descoberto estava com 52,1% e o Santa Maria com 51,5%. Para analisar esse processo de queda, a Adasa divulgou os novos parâmetros que deverão ser seguidos até o início da temporada de chuvas.

A chamada curva de acompanhamento determina os valores mínimos que os sistemas podem chegar. Se estiver abaixo, quer dizer que é preciso uma nova avaliação. Para o reservatório do Descoberto, por exemplo, neste mês, o mínimo aceito é de 66,7%. Porém, essas mínimas só diminuem, chegando a 21,9% no fim de novembro. Para dezembro, está prevista uma elevação até chegar a 29,8%.

Já para o de Santa Maria, o limite mínimo de julho é de 59,2%. O nível inicia uma queda menor no fim de outubro, com 31,2%, e chega ao marco mais baixo em novembro, com 30,3%. Para o último mês deste ano, é previsto aumento de 4%.

De acordo com o superintendente de recursos hídricos da Adasa, Rafael Melo, a situação, portanto, está controlada. Ele diz que mesmo a queda observada era esperada devido ao período climático atual. “Se a gente estiver acima da média estipulada, tanto Caesb quanto irrigantes estão dentro do que foi simulado”, afirma.

Melo ressalta que o fim do racionamento se deve à disciplina da população, que utiliza menos água, e às obras de captação, como a do Bananal e do Lago Paranoá, que vão auxiliar na distribuição do insumo no DF. O superintendente lembra que a Caesb ainda está tirando menos água dos mananciais – antes eram 6 m³/s, agora são 4,3m³/s. Quem irriga também continua com restrições. Só se pode utilizar água por seis horas durante o dia, três horas pela manhã e outras três à tarde.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


 

Preocupação

Apesar de o superintendente da Adasa, assegurar o controle da situação, ele demonstra preocupação com a quantidade de chuvas no biênio 2018/2019. “Nossa expectativa é de que volte a chover. Já são quatro anos hidrológicos abaixo da média. Esperamos que esse ciclo volte à normalidade, que seria de 1,4 mil milímetros neste ano”, explica Melo, ao lembrar que em 2017/2018 choveu mil milímetros.

O início do funcionamento de Corumbá IV também é uma esperança na melhora da situação hídrica. A obra, que passou por atrasos, tem previsão de ficar pronta em dezembro deste ano e vai auxiliar o DF e o estado de Goiás com 1,6 mil litros de água por segundo.

BDF na Rede

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Send this to a friend