Compulsão por compras X consumo por impulso

Compulsão por compras X consumo por impulso

Diferenças e Formas de Tratamento

Sabe quando a gente compra para aliviar algum sentimento? E quando compramos e nem pensamos?  O texto de hoje difere estas questões, trazendo pra vocês as formas de tratamento sob um olhar psicológico da economia comportamental. Isso vale pra muita gente que eu conheço, viu?! Confira!
Abraços,
Rafael Rico

Por Ana Cláudia Almeida Machado 

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Neste artigo falaremos de compra compulsiva, consumo impulsivo e formas para obter ajuda em relação às dívidas. Em 2018, estima-se que haja no Brasil 60 milhões de pessoas endividadas e há diferentes possibilidades de encontrar apoio para solucionar o problema.

Conhecemos muitas causas externas que levam as pessoas a se endividarem, como por exemplo, a facilidade na contratação de crédito, a falta de informação durante as negociações entre clientes e instituições financeiras e a inexistência de programas de educação financeira que ensinem aos adultos e as crianças sobre a importância de cuidar bem do dinheiro. No entanto, há também fatores internos. Algumas vezes, mesmo possuindo informações sobre consumo responsável e endividamento, ainda que se conheça bem o mecanismo das taxas de juros e as consequências de se assumir dívidas maiores do que se pode arcar, acabamos caindo na tentação de nos endividarmos mais e mais. Por quê?

Por diversas razões. Duas delas precisam ser enfatizadas e, apesar de parecidas, possuem uma diferença essencial: o comprar compulsivo e o consumo impulsivo. De um modo geral, a compulsão se define por uma necessidade de realizar um comportamento para alívio de uma ansiedade exagerada. Podemos sentir compulsão por comida, tabaco, sexo, jogos e também por compras. Já o impulso diz respeito a um comportamento irrefletido, aquilo que fazemos sem pensar, sem antes fazer um balanço apropriado entre prós e contras. Por exemplo, você está sacando dinheiro no caixa eletrônico, se depara com uma oferta de crédito e toma o empréstimo em uma fração de segundos, mesmo sem precisar.

No caso da compulsão por compras, o que é comprado não faz muita diferença, inclusive muitas vezes as pessoas adquirem produtos que nem sequer precisam, somente pelo alívio provocado pelo ato de comprar. Finalizada a compra, a pessoa geralmente se sente aliviada, já que o nível de ansiedade diminui, mas depois vem o arrependimento e o sentimento de culpa. É um ciclo vicioso que se instala e é retroalimentado constantemente. Alguns preferem chamar esse traço de oneomania, a compra por impulso para compensar fortes sentimentos de ansiedade e angústia, pois num primeiro momento há uma diminuição nos níveis de desconforto físico e psicológico que essas sensações provocam. Se esse é o seu caso, não sinta vergonha, busque auxílio.

Para tratar qualquer compulsão, sugere-se atendimento psicoterápico individual e, algumas vezes, o psicólogo pode trabalhar em conjunto com um profissional da psiquiatria para vislumbrar um tratamento mais amplo para o problema, que tem solução. A impulsão também é tema constantemente presente nos consultórios de psicologia. Como tratamentos possíveis, existem técnicas que ensinam pessoas a comportar-se de modo menos nocivo em diversos campos da sua vida, incluindo o financeiro. Também é importante compreender a causa de se comportar assim, para que seja dado outro destino a esse sofrimento. Cada caso é único e o psicólogo, de forma individual, irá decidir os rumos do acompanhamento psicológico.

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Apesar da oferta de atendimento psicológico no SUS ainda não ter alcançado a disponibilidade ideal, é possível agendar consultas na rede pública. Porém, há outras fontes gratuitas de atendimento psicológico. Uma delas são as clínicas-escola de psicologia, que existem nas faculdades e universidades que oferecem o curso de psicologia. Os estudantes que já estão prestes a se formar atendem a população sob a supervisão de um professor da área de psicologia clínica e, na maior parte das vezes, esses atendimentos são gratuitos. Os planos de saúde geralmente também disponibilizam atendimento psicoterápico individual. Caso nenhuma dessas opções esteja disponível, há também psicólogos particulares que oferecem atendimento a um valor social, procure se informar.

Outra fonte de ajuda para que as pessoas possam compartilhar questões comuns são os grupos de ajuda mútua (como os Alcoólicos Anônimos, Devedores Anônimos, Mulheres que Amam Demais Anônimas, etc). Geralmente a proposta é para participação em grupos presenciais, mas atualmente também vêm sendo disponibilizados encontros online.

Se o problema também requer conciliação com os credores, procure um tribunal de justiça que possua um Programa de Prevenção e Tratamento de Consumidores Superendividados. Nesses programas, além da conciliação judicial, é também possível solicitar acompanhamento psicológico. Outra etapa importante para esclarecimento sobre a dívida e hábitos de consumo oferecida por iniciativas dessa natureza é a educação financeira.

Qual o papel das emoções nas nossas decisões de consumo? Esse assunto é tão importante que o Prêmio Nobel de Economia 2017 foi conferido a um economista dos EUA que propõe estudar o que é conhecido por ”economia comportamental”, pois é importante conhecer e entender as influências psicológicas envolvidas no momento da tomada de decisão que envolve consumo. Essas influências são conhecidas ou não, já que podem ser conscientes ou inconscientes. É desejável tornar as escolhas mais racionais, pois faz parte dos planos modelar as decisões das pessoas de modo mais realista e menos emocional. Isso quer dizer que podemos aprender a lidar com nosso comportamento de comprar e passar a ter um consumo mais saudável.

É importante buscar profissionais que possam auxiliar nesse processo e, se possível, também envolver pessoas do círculo familiar ou amigos próximos com quem se possa dividir esse problema, que não é definitivo, mas sim passível de ser mudado.

Finalizando, devo mencionar que minha experiência profissional mostra que não é raro que pessoas revertam a situação de superendividamento e lembrem dessa fase como parte do passado. E todos esses percalços podem se transformar em ferramentas para fazer nascer uma nova visão de mundo, pois com as dificuldades podemos progredir rumo ao sucesso, inclusive em áreas da vida que não somente aquela que despertou nosso desejo de mudança. A circunstância de superendividamento é temporária e requer cuidados especiais para revertê-la em uma situação mais tranquila, com alívio das dívidas, mas, sobretudo, dos sintomas que as acompanham.

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E o mais importante: não se esqueça, você é muito maior que a sua dívida.

Ana Cláudia Almeida Machado é psicóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em Bioética (UnB), Mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (UnB) e doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura (UnB). Sua tese de doutorado é sobre “Superendividamento, qualidade de vida e bem-estar psicológico: uma proposta de Intervenção”. É ex-bancária e atua como voluntária do Programa de Prevenção e Tratamento de Consumidores Superendividados do TJDFT. E-mail: naclau@gmail.com

Trace suas metas, entre em ação e alcance seus objetivos!

Encontre-me no Instagram: @valorizeseusonho

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