Dependência afetiva e empobrecimento cruzado

Dependência afetiva e empobrecimento cruzado

Você já tem mais de 30 anos e ainda mora com seus pais ou conhece alguém assim? É claro que uma ajuda familiar às vezes é necessária, mas não deve ser eterna! O que isto pode refletir em sua vida financeira e no seu futuro familiar? E hoje, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a amiga e psicóloga Nadya Gomes nos presenteia com este belo artigo! Confira agora na coluna Valorize seus $onhos!
Abraços, Rafael Rico

Dependência afetiva e empobrecimento cruzado. Como isso pode afetar as finanças?

João, hoje com 68 anos, está casado com Maria, de 65 anos, há 40 anos. Com ela constituiu sua família composta por 3 filhos, André de 35 anos, Mônica de 32 anos e Gustavo de 24 anos. André é graduado em Administração, recentemente abriu sua 3ª empresa no ramo de automóveis. Há dois anos passou por um processo de falência. Atualmente, mora na casa de seus pais com seus 2 filhos, Valentina, 8 anos, Lucas, 4 anos e a esposa Érica, de 30 anos, que atualmente não trabalha. Mônica é solteira, graduada em Direito, funcionária pública, bem sucedida, mora sozinha e atualmente está se preparando para fazer Mestrado fora do país. Gustavo, mora com os pais, está terminando a faculdade de medicina e deve fazer residência no exterior.

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André não vê problema em receber ajuda financeira dos pais, uma vez que os outros irmãos não necessitam, não têm filhos e estão bem financeiramente. Gustavo diz: “- Sempre que preciso de ajuda financeira recorro aos meus pais, afinal eles nunca me dizem não”. “- Eu vou cuidar deles na velhice, meus irmãos provavelmente nem morarão aqui.”

Em contrapartida, seu João e Dona Maria se preocupam com a situação do filho, uma vez que após essa segunda falência, para poder “limpar” o nome do filho, praticamente se desfizeram de suas reservas financeiras, que foram compostas por longos anos de poupança e investimentos, com o propósito da sonhada aposentadoria.

Ao verem Gustavo naquela situação não pouparam esforços para ajudá-lo. Contudo, essa situação já perdura por 6 anos. Atualmente, já não possuem muitos recursos financeiros, caso venha acontecer uma 3ª falência. Dessa forma, continuam trabalhando sem expectativa de se aposentarem, uma vez que o dinheiro poupado para tal fim foi destinado para ajudar Gustavo. Por outro lado, o filho Gustavo continua a prometer que assim que alcançar êxito vai devolver tudo aos pais. E assim eles seguem.

Vamos entender um pouco essa história?

O que é empobrecimento cruzado? Esse é um fenômeno que acontece em muitas famílias devido a dependência afetiva. A dependência afetiva ocorre quando a nossa autonomia está prejudicada. Sempre que nós precisamos de algo ou alguém para sentir segurança ou tranquilidade. Existem duas formas de empobrecimento cruzado.

Empobrecimento cruzado 1:

É quando a família organiza as finanças e doa um percentual considerável para ajudar um filho adulto que está em dificuldades financeiras. Neste caso, digamos que a família não tem dívidas. Ela está deixando de poupar para ajudar. Se a situação não for temporária, ela se manterá assim por anos. O filho que não “deslancha” estará sempre precisando da ajuda do pai ou da mãe. Contudo, chega uma hora em que o pai precisará se aposentar e nesse momento se estabelece o empobrecimento cruzado 2.

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Empobrecimento cruzado 2:

No empobrecimento cruzado 2, o filho em “dívida afetiva e moral para com os pais” precisa, agora, doar um percentual considerável de sua renda para ajudar os pais na velhice, na aposentadoria. Ou seja, isso vira um ciclo vicioso. O pai não enriqueceu porque ajudou o filho eternamente, e vice-versa. Ninguém enriquece!

Vejam, não estamos dizendo que os pais não devem ajudar aos filhos e vice-versa. O que queremos esclarecer é: o que vem realmente ser ajuda? A ajuda, para ser realmente ajuda, deve ser algo que leve a pessoa para frente. Que a desenvolva. O velho termo: “Ensinar o filho a pescar”. A ajuda é um fenômeno transitório. Deve ser passageiro. Se é algo que não passa, que se mantém, não é ajuda, mas dependência.

A questão é que os pais que não dão limites para os filhos constroem relações de dependência afetiva. A dependência cognitivamente reforça crenças limitantes como: “Eu não sou capaz”; “Eu não posso”. A dependência cria situações de muleta. Como se a pessoa dependente tivesse que sempre ser amparada. Esses pais não conseguem dizer para esse filho: “- Você já tem quase 40 anos e não posso mais pagar a escola do seu filho!”. E não o fazem porque inconscientemente se sentem frustrados e com culpa pela não prosperidade do filho. Quando os pais não abrem o olho do filho e não dizem: “- Poxa, você não desenvolveu todo seu potencial, por isso eu terei que te ajudar pra que seus filhos não estudem em escola pública”, é uma ajuda que não capacita porque não leva esse filho a reflexão que precisa desenvolver sua capacidade e autonomia.

O pai deve ajudar o filho por um tempo, para servir de apoio e alavanca para o filho. Após um tempo, o filho vai por conta própria. Como João e Maria parecem ter feito com os outros dois filhos. A ajuda que não é transitória não é ajuda! Nós nascemos dependentes, ao longo do nosso crescimento e desenvolvimento humano nos tornamos independentes, o vínculo criado entre os pais, dá lugar ao aprendizado, autonomia e crescimento emocional. Quando isso acontece, os filhos se tornam independentes e maduros emocionalmente.

Isso acontece porque aprendemos a nos relacionar com o mundo por meio das regras que recebemos em nossa família. Ninguém é dependente sozinho, DEPENDÊNCIA AFETIVA é uma via de mão dupla. Se um filho é dependente afetivamente de um ou ambos os pais, com certeza esse pai/mãe ou ambos alimentam essa relação. A família é quem reforça o nosso potencial. No caso em tela essa dependência afetiva está ligada à promessa no inconsciente familiar do “não abandono” de Gustavo do seio da família quando os pais envelhecerem. Em verdade uma fantasia. Esses pais podem ser ajudados por esses filhos sem essa necessidade e criação de dependência afetiva. E sim, de uma forma saudável onde no ato de amor os filhos honrem e reconheçam os pais na velhice se doando e retribuindo no amor, por tudo o que representaram e o fizeram em vida. Dessa forma, não se criam dívidas emocionais.

Filho que precisa da ajuda eterna do pai é aquele que tem um padrão de vida fora da realidade dele. Portanto, organize seu orçamento de modo que você possa investir. Se você não tem dinheiro para investir, você está vivendo uma vida além do seu limite. Gaste menos do que você ganha! Pague-se primeiro !

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Ponha o pé no chão, viva de acordo com suas possibilidades! Independência financeira e emocional já!


NADYA GOMES: É Psicóloga clínica e organizacional. Palestrante, facilitadora de grupos, conteudista e tutora de cursos presenciais e a distância. Especialista em Psicologia Clínica em Gestalt-terapia, Master Coach Ontológico. Possui Formação Internacional em EMDR, Trainner em Barras de Access pelo Instituto de Gary Douglas e Certificação Internacional na Metodologia de Aprendizagem Experiencial Básica e Avançada para grupos. Atuação em Constelação Familiar. Formada em Educação Financeira pelo Instituto Libratta. (www.facebook.com/Aelius.psicologia/) (www.aelius.com.br).

Trace suas metas, entre em ação e alcance seus objetivos!

Encontre-me no Instagram! @valorizeseusonho

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