Jabuti, lento e preguiçoso em relação a evolução

Após diminuir o número de premiações de 29 para 18, de juntar as categorias de infantil e juvenil em uma só e uma declaração homofóbica nas redes sociais, Luiz Armando Bagolin, curador do Prêmio Jabuti, põe em cheque mais uma vez o galardão que nos últimos anos acumula críticas.

Na última segunda (11), Volnei Canônica, importante ilustrador publicou uma coluna no portal Publishnews sobre a desvalorização da literatura para crianças e jovens nos 60 anos do Jabuti, onde recebeu uma reposta homofóbica do curador da premiação nas redes sociais.

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Para ilustradores e autores dos públicos infantis e juvenis, o novo regulamento deixa de reconhecer a ilustração como linguagem independente da palavra e desvaloriza os livros voltados a crianças e adolescentes, que não poderiam ser comparados entre si.

“São diferentes livros para diferentes públicos”, afirma Canônica.

Para provar que ilustração é mais que algo técnico, mas um discurso em si, Canônica e o companheiro, o escritor e ilustrador Roger Mello, vencedor do Hans Christian Andersen, o maior prêmio mundial de literatura infantil, em 2014, têm publicado imagens de obras clássicas em que a ilustração tem papel importante, como o Livro dos Mortos egípcio. Foi em uma dessas postagens que se deu a controversa mensagem de Bagolin.

“É curioso constatar que o Livro dos Mortos (Egito – 1.040 a.C. – 945 a.C.), um dos primeiros livros de que se tem registro na história da humanidade, fartamente ilustrado, com protagonismo equivalente das ilustrações em relação à palavra, nos faz perceber que desconsiderar a importância da imagem como elemento artístico-narrativo é, não só um desconhecimento da história do livro, como um preconceito de nossos dias”, escreveu Canônica.

Diante de tudo o que vem acontecendo podemos apenas constatar que, se o Prêmio Jabuti continuar com a mesma curadoria, e, acumulando críticas dos mais diversos seguimentos de profissionais da cadeia de produção do livro, ele se apequenará e perderá o status de grande prêmio que já foi um dia.

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Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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