Para entender o carnaval

Todos sabemos que a literatura é uma ferramenta para retratar uma comunidade, um país, uma época e principalmente um modo de vida. A literatura produzida no Brasil é de suma importância para retratar estes aspectos, e o carnaval não poderia estar de fora disso. Abaixo trago quatro livros que vão te ajudar a entender essa grande festa e suas repercussões culturais.

Carnaval no fogo, de Ruy Castro

Sinopse: Uma apaixonada crônica de Ruy Castro sobre o Rio de Janeiro. Carnaval no fogoretrata a cidade como um palco de perigos e prazeres – desde 1502, quando Américo Vespúcio lhe deu o nome que a consagrou internacionalmente. O autor faz um misto de narrativa, ensaio, história e conversa fiada sobre uma cidade com excitante vocação para o épico – e uma vocação ainda maior para transformar o épico em samba. Ruy Castro compõe um vibrante retrato do Rio de hoje, cheio de viagens ao passado, para revelar que, mesmo nos períodos de calmaria, havia sempre uma excitação no ar – um permanente “Carnaval no fogo”. O Rio de Janeiro de Carnaval no fogo é o Rio dos antropófagos que encantaram os intelectuais europeus, dos escravos que se vestiam como os senhores, dos fotógrafos pioneiros que o clicaram como se estivessem num avião – setenta anos antes de o avião existir -, da loura Nair de Teffé e da mulata Chiquinha Gonzaga, que, juntas, abalaram as estruturas. É também o Rio em que os salões se prolongaram nos botequins, em que um cafezinho tomado em pé na avenida Rio Branco podia alterar a cotação mundial do produto e em que o povo, habituado à própria pele, passou a desfilar quase nu pelas praias e até pelos restaurantes. É ainda o Rio das asas-deltas, do Fla-Flu entre os traficantes e a polícia, do bolinho de aipim e do indestrutível bom humor. Carnaval no fogo é a história dessa fascinante superação do povo carioca – até hoje.

O livro de ouro do carnaval brasileiro, de Felipe Ferreira
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Sinopse: Quando confetes e serpentinas colorem ruas e salões e a bateria arrepia até quem não é muito de samba, está em cena a maior festa popular do mundo. Assim o Carnaval brasileiro é conhecido nos quatro cantos do planeta. Entretanto, paralelamente à alegria e à descontração dessa festança, existe uma bela história até então pouco abordada pelo mercado editorial brasileiro. Para preencher essa lacuna, chega às livrarias, pela Ediouro, O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro, de Felipe Ferreira – um dos mais renomados pesquisadores da cultura popular brasileira e autor de diversos artigos sobre Carnaval. Produto de anos de pesquisa, a obra é uma visão inédita e contemporânea do Carnaval brasileiro, capaz de expressar muito do que fomos, somos e seremos. Além das centenas de fotos e ilustrações, o que faz de O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro um grande lançamento é a ousadia de seu autor. Felipe Ferreira apresenta uma abordagem bastante original da história do Carnaval brasileiro, sem repetir os lugares-comuns de um roteiro de datas e acontecimentos lineares na elaboração da ideia de Carnaval no país.

Este mundo é um pandeiro, de Augusto Sérgio

Sinopse: Este livro não é apenas uma história das comédias cinematográficas carnavalescas produzidas no Rio, nos anos 40 e 50, é também uma crônica do ethos cultural brasileiro desde a aurora do Estado Novo até o crepúsculo do populismo desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek. Essa obra é uma História do Brasil dos tempos do Cassino da Urca, do Teatro Recreio, do Gumex, da Panair, do Super-Flit, da PRK-30. E sobretudo do Oscarito, do Grande Otelo, da Carmen Miranda, do Zé Trindade, da Marlene, da Emilinha, do Anselmo Duarte, do José Lewgoy, da Zezé Macedo, do Carlos Machado e de outros gênios da raça.

O país do carnaval, de Jorge Amado

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Sinopse: Primeiro romance de Jorge Amado, O país do Carnaval faz um retrato crítico e investigativo da imagem festiva e contraditória do Brasil, a partir do olhar do personagem Paulo Rigger, um brasileiro que não se identifica com o país. Filho de um rico produtor de cacau, Rigger volta ao Brasil depois de sete anos estudando direito em Paris. Num retorno marcado pela inquietação existencial, ele se une a um grupo de intelectuais de Salvador, com o qual passa a discutir questões sobre amor, política, religião e filosofia. Dúvidas sobre os rumos do país ocupam o grupo. O protagonista mantém uma relação de estranhamento com o Brasil do Carnaval, acredita que a festa popular mantém o povo alienado. Os exageros e a informalidade brasileira são motivo de espanto, apesar de a proximidade com o povo durante as festas nas ruas fazer com que ele se sinta verdadeiramente brasileiro. Aturdido pelas contradições, Rigger decide voltar para a Europa. Mestiçagem e racismo, cultura popular e atuação política são alguns dos temas de Jorge Amado que aparecem aqui em estado embrionário. Brutalidade e celebração revelam-se, neste romance de juventude, linhas de força cruciais de uma literatura que se empenhou em caracterizar e decifrar o enigma brasileiro.

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Lembro que estes livros são leituras para aprofundar o seu conhecimento sobre uma das maiores festas do planeta, dentro de uma ótica mais profunda e menos romantizada.

Atá a próxima semana.

Paulo Souza

BDF na Rede

         

Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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