“Última Hora”, romance vencedor do Prêmio Sesc de Literatura é de autor do DF

Livro conta a história de um jornalista atormentado entre a militância comunista e o trabalho no jornal que apoia Getúlio Vargas. Autor reconstrói últimos meses do presidente no governo, antes do suicídio, e a briga entre Samuel Wainer, da Última Hora, e Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa

“Embora tradicionalíssimo na forma, Última Hora, do potiguar José Almeida Júnior, é um romance bem-sucedido. Tem ritmo, linguagem adequada e conta uma boa história. A trama, a luta do empresário Samuel Wainer para consolidar um império de comunicação, tem como pano de fundo os últimos tempos da ditadura de Getúlio Vargas. Histórico, mas sem qualquer ranço de didatismo, Almeida Júnior consegue, ao mesmo tempo, com enorme competência, reviver uma época e insuflar vida a personagens reais, tornando-os complexos. Narrador em primeira pessoa, Marcos, o protagonista, é um jornalista canalha, corrupto, mau caráter, mas que alcança estabelecer com o leitor a empatia necessária para converter sua narrativa singular em excelente literatura. Enfim, um livro que retoma a ideia do prazer da leitura.”  Luiz Ruffato

“Embora “Última Hora” seja o meu primeiro livro publicado, há mais de cinco anos escrevo literatura. Já tinha participado de uma edição anterior do Prêmio Sesc com outro livro. Foi muito importante para mim receber o resultado de ganhador do Prêmio Sesc, porque pude ser reconhecido pelo trabalho de escritor. Enquanto não tem uma obra não publicada, o escritor fica na invisibilidade, pedindo para amigos lerem seus originais. O que o escritor mais quer é ser lido” – comenta o autor sobre ganhar o prêmio.

Marcos é um jornalista que mal recebe pagamento pelo seu trabalho num jornal ligado ao Partido Comunista. Mas ele é militante, está lá pela causa. A instabilidade financeira, no entanto, abala a sua vida familiar e sua relação com a mulher e o filho adolescente. Por isso, movido pela vontade de acertar as contas em casa, ele acaba aceitando um convite irrecusável: trabalhar na Última Hora, jornal que está sendo criado por Samuel Wainer, experiente jornalista, o primeiro a noticiar a volta de Getúlio Vargas, então recluso no Sul, à política. É com o apoio do presidente eleito, que comandou a ditadura do Estado Novo anos antes, que o novo jornal se erguerá. Esse é um dos dilemas de Marcos, que foi preso e torturado pela polícia de Getúlio: trabalhar, ainda que indiretamente, para seu ex-inimigo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Em “Última Hora”, o escritor José Almeida Júnior, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura em 2017, reconstrói um dos períodos mais importantes da história do país. “Getúlio Vargas lançou as bases do trabalhismo brasileiro e influenciou o pensamento de esquerda de políticos como Jango, Brizola e Lula. Por outro lado, Vargas perseguiu comunistas e implantou uma ditadura violenta durante o Estado Novo. Tive a curiosidade de compreender o comportamento dos comunistas, que haviam sido perseguidos no Estado Novo, durante o governo democrático Vargas do início dos anos 50”, conta o autor, em entrevista ao blog da editora.

“Última Hora” tem recebido alguma repercussão, especialmente porque vem com a chancela do Prêmio Sesc. Já recebi retorno de leitores que fizeram a conexão entre a situação política vivida no governo Vargas dos anos 50 com contexto atual. Acho que em muitos aspectos o panorama histórico se assemelha. Mas não pretendo levantar causas específicas no livro, porque, se o escritor já escreve pensando nisso, corre o risco de deixar o trabalho pobre como literatura. Depois que o autor publica seu livro, a obra naturalmente ganha interpretações conforme a visão de mundo de cada leitor”- comenta o autor sobre sua obra.

No livro, Almeida Júnior refaz uma das maiores batalhas da imprensa na época, a de Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, e Wainer. Com o apoio da cadeia de jornais e rádios de Assis Chateaubriand, o Chatô, e de outros magnatas das comunicações, como Roberto Marinho, Lacerda perseguiu o dono da Última Hora até o desfecho final da crise, com o suicídio do presidente. Marcos, que ora se alia a Wainer ora ajuda Lacerda, é o contraponto entre esses personagens tão complexos. “Procurei encontrar as contradições em Wainer e Lacerda e explorá-las no ponto de vista de Marcos”, diz o autor.

Nelson Rodrigues, que criou na Última Hora, com o apoio de Wainer, a famosa coluna “A vida como ela é”, também é personagem do livro, um mergulho na capital do Brasil dos anos 1950. Com uma trama envolvente, que inclui histórias de tortura, militância, delação, justiçamento e um combate conservador à corrupção, “Última hora” guarda muitas relações com o a história atual do país.

O Autor

Natural de Mossoró, RN, José Almeida Júnior é formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), com pós-graduação em Direito Processual e em Direito Civil. Há dez anos reside em Brasília, onde exerce o cargo de Defensor Público do Distrito Federal.
www.josealmeidajunior.com
Facebook: /almeidaemprosa
Twitter: @almeidaemprosa

Serviço
Entrega do Prêmio Sesc de Literatura
Data: 05 de dezembro (terça-feira) ás 19:30
Local: Sesc Presidente Dutra, SCS Quadra 02, Brasília.

Paulo Souza

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


 

BDF na Rede

         

Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Dezembro, 2017

Filtrar eventos

Sem eventos

PUBLICIDADE
X

Send this to a friend