Flip 2018 homenageará Hilda Hilst

Hilda Hilst já havia dito que “parece que os críticos adoram escritor morto, você tem que morrer para ser lembrado”, e agora, 13 anos após sua morte será a homenageada da Flip de 2018.

Com curadoria da Josélia Aguiar, a Festa Literária Internacional de Paraty – Flip, terá como homenageada em sua 16° edição a escritora e poetisa Hilda Hilst, a festa ocorrerá entre os dias 25 e 29 de julho de 2018. Após Clarice Lispector e Ana Cristina Cesar, Hilda será a terceira mulher homenageada na historia do festival.

Em uma nota lançada pelo diretor geral da Flip, Mauro Munhoz, atribuiu a homenagem ao fato de sua obra “extrapolar fronteiras”.

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Após o grande sucesso da edição do ano passado, também com curadoria de Josélia Aguiar, a Flip teve recorde de escritoras e escritores negros, que representaram 30% dos convidados. Preconceito e racismo foram os assuntos centrais do festival e pela primeira vez, haviam mais mulheres do que homens no programa.

Hilda Hilst, vida e obra

Nasceu em Jaú, interior de São Paulo, em 1930 e faleceu na cidade Campinas em 2004. Escreveu poesia, ficção, teatro e crônica, seus livros mais conhecidos foram “Cantares de perda e predileção”, “Rútilo nada” e “A obscena senhora D”, Hilda Hilst teve suas obras traduzidas para oito idiomas.

Sua maior desventura na vida literária foi o de nascer mulher, “Se Hilda fosse homem já a teriam saudado como um de nossos escritores mais criativos”, dizia a escritora e amiga Heloneida Studart.

Hilda Hilst escreveu por quase cinquenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do Brasil. Em 1962, recebeu o Prêmio PEN Clubede São Paulo, por Sete Cantos do Poeta para o Anjo (Massao Ohno Editor, 1962). Mudou-se para a Casa do Sol, construída na fazenda, onde passou a viver com o escultor Dante Casarini, em 1966. Em setembro do mesmo ano, morreu seu pai. Dois anos depois, Hilda casou-se com o escultor Dante Casarini. Em 1969, a peça O Verdugo arrebatou o Prêmio Anchieta, um dos mais importantes do país na época. No mesmo ano, a cantata Pequenos Funerais Cantantes, composta por seu primo, o compositor Almeida Prado, sobre o poema homônimo de Hilda, dedicado ao poeta português Carlos Maria Araújo, conquistou o primeiro prêmio do I Festival de Música da Guanabara.

Dez chamamentos ao amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst

Paulo Souza

BDF na Rede

         

Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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Dezembro, 2017

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