Minha e sua culpa, o que fazer para ajudar nossa literatura

De acordo com a pesquisa feita pela UnB, 70% dos autores são homens e 90% são brancos. O que fazer para a literatura brasileira representar melhor seu povo?

Hoje vou falar um pouco de uma pesquisa sobre o perfil do escritor brasileiro, feita pela UnB. Não saiu nada de muito novo, infelizmente.

Não quero esmiuçar uma pesquisa que não traz nada de novo para o nosso cenário literário nacional. As informações são as mesmas de sempre: a maioria dos escritores são brancos, que retratam personagens homens, brancos e heterossexuais vindos do eixo Rio de Janeiro e São Paulo. Caso você queira ver a pesquisa na íntegra vou deixar o link ao final do texto.

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O que eu quero mesmo é tentar dar soluções sobre como podemos reverter este cenário que não ajuda muito o crescimento da nossa literatura. Quero falar sobre pequenas ações que podemos tomar, para aos poucos, mudar este caminho. Então aí vão algumas coisas que já podemos fazer:

Literatura brasileira não é boa

Sempre tem aquele que diz que literatura brasileira não é boa, e aqui eu digo com total certeza que você pode rebater com: Qual foi a última vez que você comprou um livro de autor nacional?

Em 99% dos casos a pessoa vai dizer que faz um tempinho que não compra, e ainda pior, vai dizer que não compra porquê não sabe se existe um autor ou autora bons. Aí, meu amigo, você pode chegar para ele e soltar a lista dos seus autores favoritos em cascata e quebrar de vez este argumento frágil.

Aqui já deixo a indicação para que você leia algo de Tatyana Azevedo, Cinthia Kriemler e Elaine Elesbão, todas grandes mulheres da nossa literatura.

Os grandes autores brasileiros estão todos mortos

Sim, isso é verdade, mas não representa a nossa atualidade. Temos sim muitos autores do passado que até os dias de hoje, e para sempre, irão ser referências do que é alta literatura, mas isso não quer dizer que ninguém hoje está trilhando este caminho.

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O que realmente precisamos é mudar o foco e perceber que existe gente pipocando para tudo que é lado mostrando a que veio, e que poderão ser vistos no futuro como grandes autores. Pare para pensar que o autor que hoje convive no mesmo tempo que você, daqui duas décadas pode ser uma referência, e você deixou de ler por puro preconceito.

Que tal conhecer um pouco sobre a obra de Daniel Barros, Tércio Ribas Torres e Patrícia Baikal?

Não existe literatura que me represente

A pessoa que diz isso é porque não se esforça em saber o que é literatura de representatividade. Na verdade, está acomodada em uma verdade criada e não se preocupa em saber o que acontece ao seu redor, e a leitura é uma boa opção dela ter suporte para sair desta inércia.

Temos aqui na capital uma grande quantidade de pessoas dando o grito de “estou aqui” e mostrando que a literatura brasileira não está, nem de longe, fraca em dar voz a representatividade. Seja a representatividade negra, LGBT, feminina e tantas outras causas, nós temos autores e autoras mostrando que a literatura é um auto-falante.

Se estiver em busca de representatividade você pode ir atrás das obras de Cristiane Sobral, Jander Gomez e Tatiana Nascimento.

E isso são apenas três pequenos pontos que podemos aprofundar para mudar o escopo da pesquisa. Existem muito mais coisas que podemos combater para melhorar o alcance da nossa literatura, mas o primordial, é que nós leitores temos que consumir mais coisas produzidas dentro de casa. E só para deixar bem claro, todos os escritores e escritoras que eu citei ao longo do texto, são daqui de Brasília, e eles não são nem metade da galera que produz literatura de muito boa qualidade no nosso quadradinho.

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Agora imagina todos os autores que estão espalhados pelo nosso país e que nem eu e nem você conseguimos ler ainda.

Fonte: http://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/2123

Paulo Souza

BDF na Rede

         

Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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Dezembro, 2017

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