George Saunders vence o Man Booker Prize

George Saunders vence o Man Booker Prize

Olá leitores,

Ontem saiu o resultado do Man Booker Prize e o autor George Saunders, um dos grandes nomes da literatura americana contemporânea, foi o grande vencedor. Ao contrário do Nobel, os autores que desejam participar da premiação devem indicar um livro produzido ao longo do ano anterior para participar e a obra que deu a Saunders o prêmio de melhor escritor em língua inglesa do ano foi Lincoln in the Bard. O livro é um romance baseado em uma visita de Abraham Lincoln ao corpo de seu filho em um cemitério de Washington. A história é narrada por várias almas inquietas que estão à deriva e não conseguem voltar a vida.

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Uma particularidade interessante é que o prêmio foi criado na Inglaterra e, inicialmente, não era aberto a todos os países de língua inglesa. Os EUA só passaram a poder enviar seus textos para análise em 2014 e esse é o segundo ano seguido que um autor americano vence. Numa tentativa de democratizar a literatura, a organização criou o Man Booker International Prize, que é concedido a autores que escreveram o manuscrito original em inglês independente da língua oficial de seu país. Já contamos vários detalhes dos dois prêmios aqui no blog ano passado só que perdemos a postagem como todo o conteúdo do ano passado  [A parte boa é que estamos pensando em uma maneira de voltar com a coluna Prêmios do Mundo e resgatar, aos poucos, e com bastante dedicação parte do que escrevemos com tanto carinho \o/]

O prêmio tem um canal o youtube e eles publicaram um vídeo com a Baronesa Lola Young, presidente dos jurados, falando os motivos que levaram a escolha de Saunders. Foco no sotaque lindo e na paixão com que ela fala da literatura:

Preciso dizer que ainda não li nada do autor, mas em março desse ano o Blog da Companhia publicou uma entrevista com ele que me deixou super entusiasmada para conhecê-lo. Ela foi publicada em duas partes e se você gosta de uma boa conversa não pode deixar de ler nenhum trecho dessa entrevista. Leiam a parte 1 e não esqueça de ver o vídeo da parte 2

Eu tenho a impressão de que quanto mais eu conheço detalhes sobre a vida do autor, os motivos que o fizeram escrever e também o contexto de suas obras mais próxima eu me sinto do escritor. Por consequência, eu vou criando aquela aura de admiração e uma vontade louca de ler o que eles escrevem. Hoje foi o dia de pesquisar um pouco mais sobre George Saunders e ele já entrou para a minha lista de admirados. Eu sei que isso pode me fazer criar uma expectativa muito grande sobre os textos dele ou de qualquer outro escritor, mas eu ainda não aprendi a separar e, por enquanto, estou conseguindo conviver bem com isso.

Deixei a parte boa para o final, se você, como eu, não tem muita habilidade para ler em inglês e ficou super interessado em conhecer a obra vencedora, acalme seu coração! A Companhia comprou os direitos de publicação no Brasil e a previsão de lançamento é 2018. Ainda não há tradução oficial para o nome, mas seria algo próximo de Lincoln no Limbo de acordo com esse relato de Caetano Galindo, tradutor da editora. Não deixe de ler, sério, ele mostra como um tradutor pegou um livro para ler durante as férias mesmo acreditando que ele tinha tudo para dar errado e se deparou com o melhor livro do ano, para ele. Vou deixar um gostinho aqui:

E aquelas últimas páginas de Lincoln in the Bardo (Lincoln no limbo, em tradução de Jorio Dauster prevista para 2018), de George Saunders, estavam me colocando num estado de profunda perturbação. Eu queria ler, correndo, queria que nada me interrompesse, sentia que se me perdesse ali, se perdesse aquele passo, aquele ritmo, teria perdido algo grandioso demais. Lindo demais.

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E dolorido.

Doloroso demais.

Assim que terminei, e assim que me refiz, escrevi aqui pra editora perguntando com toda delicadeza (ok… nem foi tão elegantemente assim…) se o livro estava comprado, e se tinha tradutor. Assim. Se oferecendo. Descaradamente. Bullying editorial. (Eu posso ser muito, mas muito chato…)

Se você ainda não conhecia George Saunders, espero que esse seja um pontapé para sua busca pelos livros dele. Garanto que a pesquisa foi bem divertida!

BDF na Rede

         

Sobre o Colunista

Paulo Souza, 28 anos, produtor cultural, editor e escritor. Possui publicado o livro ‘Ponto para ler contos’ (Kindle, 2016) e participou da ‘Antologia Sombria’ (Empíreo, 2017) e vários contos disponíveis no blog Ponto Para Ler. É criador e editor chefe do Ponto Para Ler e seu respectivo canal no YouTube em parceria com a Animars Produções.
Nasceu e vive em Brasília, cidade que ama.

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Novembro, 2017

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