Para que serve a Literatura sozinha?

Todos nós reconhecemos que a Literatura pode mudar o indivíduo: O problema é como fazer para torná-la um produto atraente, que as pessoas queiram consumir. No final da década de 60, os festivais da música fizeram surgir muitos compositores, porque a grande mídia dava glamour ao evento e esse ficou conhecido como um período fértil para a música do brasil. Quando o Guga ganhou um campeonato mundial de tênis, as crianças foram para as ruas empunhando raquetes, influenciados pelo atleta que foi transformado em ídolo.

Falta glamour à Literatura, apenas isso. Um concurso literário apoiado por pelo menos uma emissora de televisão, poderia dar visibilidade e fama aos escritores, da mesma forma que o big brother faz com seus participantes. Da mesma forma que o The voice faz com os candidatos. Nossa sociedade não cria nenhum incentivo à produção literária, as secretarias municipais não tem o livro em seu elenco de prestação de serviços públicos: falam em circo, em teatro, mas raramente incluem o livro em seus editais.

Se incentivarmos, pode ser que apareçam novos artistas, com o mesmo quilate de um Monteiro Lobato, um novo Machado de Assis, quem sabe: sabemos que ele existe, mas não damos subsídios para ele aparecer e mostrar sua arte.

No entanto, por uma estranha razão, os governos e as estações poderosas não vão agir para fomentar a cultura. Platão, em 300 a.C., reclamava que a juventude não se interessava por poesia. O cenário não mudou muito de lá pra cá: são poucos os jovens que se interessam por grandes poetas como Camões, Pessoa, Neruda, T.S. Eliot, Ezra Pound. Mas algo pode ser feito para tornar a Literatura mais palatável, mais atraente aos olhos dos jovens.

Vinicius de Moraes fez isso: através da música, fez com que poemas belíssimos ficassem conhecidos pelo grande público. Do contrário, seria apenas mais um gênio, como João Cabral ou Drummond, que são reconhecidos, mas não são conhecidos. (reconhecidos porque todo mundo sabe que eles são gênios, mas na verdade, quase ninguém conhece ou procura conhecer a obra deles).

Fagner também abriu as portas da Literatura através de sua música: musicou canteiros de Cecília Meirelles (o que lhe rendeu até um processo, devido a falta de autorização), também pôs melodia em Traduzir-se, de Ferreira Gullar. Fanatismo, de Florbela Espanca, Qualquer música, de Fernando Pessoa e muitíssimo mais. Por causa do Fagner, muita gente teve acesso à Literatura sem se dar conta disso. Pensavam que estavam “apenas” ouvindo música.

Etiquetas

Adicionar Comentário

Clique aqui para adicionar um comentário

Brasília de Fato nas Redes

Abril, 2017

Filtrar eventos

terça

25

sáb1

dom2

seg3

ter4

qua5

qui6

sex7

sáb8

dom9

seg10

ter11

qua12

qui13

sex14

sáb15

dom16

seg17

ter18

qua19

qui20

sex21

sáb22

dom23

seg24

ter25

qua26

qui27

sex28

sáb29

dom30

25abr09:00- 21:00Rubem Valentim - Construção e Fé

25abr - 2618:00abr 26- 01:00Nu Mercadito - Kakau Lossio e a sensualidade femininaExposição fotográfica


Ver Roteiro completo

X