Versos Íntimos

Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!


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Soneto considerado um dos cem melhores do século XX.

Aqui, o autor exerce a plenitude da liberdade, em uma época conservadora, demonstrou a coragem de abordar extremos para demonstrar a relação do homem com o mundo. Muitas vezes, comparável às reações das feras selvagens.

Texto ousado porque exerce a interlocução com uma hipótese… com quem é que o autor conversa?

Na segunda estrofe o autor aborda a resignação “Acostuma-te à lama que te espera!”

Predominam ironias e provocações, no melhor estilo de Augusto dos Anjos. Parece ter sido concebido com o firme propósito de escandalizar.

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