Brasilienses são finalistas em concurso que elege embaixador de vinhos do Alentejo no Brasil

Brasilienses são finalistas em concurso que elege embaixador de vinhos do Alentejo no Brasil

Dois profissionais da capital estão entre 8 finalistas; quem vencer vai representar a região vinícola em 2018. Sommeliers falam sobre paladar, memória associativa e consumo no país

Dois brasilienses estão na disputa final pelo título de embaixador de vinhos do Alentejo no Brasil. Eles foram selecionados entre cerca de 200 profissionais de todo o país no concurso “Melhor Sommelier Vinhos do Alentejo” e estão entre os oito finalistas.

A última etapa ocorre neste sábado (20) na região vinícola, em Portugal. Rafael Costacurta e Frederico de Souza Nunes são os nomes que vão representar a capital. Quem vencer, vai representar a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana em eventos no Brasil em 2018.

Região vinícola do Alentejo, em Portugal (Foto: Comissão Vitivinícola Regional Alentejana/Divulgação)
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Costacurta, de 37 anos, trabalhava em uma rede de restaurantes da capital antes de se tornar sommelier, há 9 anos. Hoje, ele permanece na empresa, mas mudou um pouco a função. “Tenho um cuidado especial com a carta de vinhos. Busco produtores com uma pegada mais artesanal e vou garimpando bons custo-benefício.”

Aos 32 anos, Frederico Nunes se especializou na Argentina depois de se formar em relações internacionais. Em Mendoza, onde viveu cerca de dez anos, começou a trabalhar como guia em vinícolas e se firmou no marketing internacional e na exportação de vinhos. A região é considerada uma das capitais mundiais da bebida.

Há um ano e meio, o sommelier voltou para Brasília e abriu uma empresa de consultoria que atende distribuidoras, restaurantes e casas de vinho, e desenvolve cursos de capacitação para empresas e apreciadores.

O mundo em uma taça
Vinho na Vila ocorre em Jurerê Internacional (Foto: Vinho na Vila/Divulgação)

Ser sommelier é saber identificar não apenas as uvas, safras e clima da região onde foram plantadas e colhidas, mas ser capaz de decifrar a cultura que há em cada vinícola, disse Nunes. “Antes mesmo de estudar, eu gostava de entender sobre a região, a cultura, o trabalho e a filosofia que está por trás de uma garrafa de vinho.”

Para sentir todos os sabores e aromas que o apreciador amador nem sempre identifica é preciso apurar as papilas, o nariz e a memória. “Os aromas estão na nossa memória olfativa. Uma pessoa pode não sentir algo por não ter memória deste cheiro”, explicou.

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Vinho rosé é servido durante evento de degustação (Foto: Pedro Henrique Barros/Wine World Adventure/Divulgação)

“Com o tempo e a prática, esses aromas são assimilados. Cheira uma fruta, um morango, uma ameixa e depois o vinho, assim faz as associações aromáticas.”

Saber identificar a diferença entre um pinot noir, um cabernet e um malbec é um processo que leva tempo e persistência, mas pode ajudar a escolher o vinho que mais agrada ao paladar. Afinal, “o melhor vinho é aquele que a gente gosta”, apontou Nunes.

Tons de quê?

“Frutas densas e concentradas, aromas de especiarias como noz-moscada, e frutados de ameixas e groselhas”. Essa é uma descrição do vinho Pionier Pinotage safra 2014 da vinícola Lanzerac, na África do Sul.

Vinho premiado utilizou processo de poda invertida desenvolvido na Epamig, em Caldas (MG) (Foto: Reprodução EPTV/Claudemir Camilo)

Quem costuma usar o saca rolhas aos finais de semana ou para tomar uma taça diária pode não entender o que a descrição significa. Os sommeliers de Brasília explicam que é tudo memória associativa.

“Você consegue identificar se é do ‘novo’ ou do ‘velho’ mundo. Se a fruta é supermadura, se aquela terra sofreu muito calor. Pela acidez e outros fatores é possível deduzir de qual região é o vinho”, disse Nunes.

O sommelier explicou que existem três níveis de aroma identificáveis em um vinho. O primário está relacionado às frutas secas. “O vinho branco, associado a uvas brancas e cítricas. O tinto às vermelhas, frescas, cozidas.”

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Barris de vinho da vinícola Paradise Ridge, em Santa Rosa, Califórnia (Foto: Reprodução/ Facebook/ Paradise Ridge Winery)

O aroma secundário depende da forma de armazenamento, que pode lembrar baunilha e chocolate quando o vinho fica em barril de carvalho, por exemplo. Já o terceiro nível tem a ver com o tempo engarrafado e micro-oxigenação da bebida através da rolha.

“A grande vantagem [de ser sommelier] é que, em uma grande seleção, eu sei quais vinhos vão me agradar. Tenho noção de quais podem harmonizar com determinada refeição ou momento”, afirmou Costacurta.

Para quem é leigo no assunto, um alívio. Segundo ele, não é preciso se especializar para saber escolher um bom vinho, basta exercitar o paladar. “Mais importante que identificar aromas é saber se o vinho é leve, encorpado, com mais ou menos madeira, seco ou macio.”

Degustação de vinhos é o foco do evento que vai desta sexta-feira (2) até domingo (4), no CasaShopping (Foto: Divulgação)
Vinho em Brasília

O consumo de vinho em Brasília em termos per capita é um dos maiores do país, segundo Frederico Nunes. Outro fator de destaque para a capital, no entanto, é mais significativo para os sommeliers: as pessoas estão cada vez mais interessadas em degustar.

“O consumo de vinho está crescendo assim como o das cervejas especiais”, explicou Costacurta. “A tendência é as pessoas beberem menos e melhor. Muita gente está se interessando não por buscar o bar pela cerveja mais barata, mas pelas bebidas de melhor qualidade.”

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Garçom segura taças de vinho vazias em restaurante (Foto: Abraccio/Divulgação)

A nível nacional, a produção está se diversificando tanto em regiões produtoras, quanto em vinícolas, segundo o sommelier Rafael Costacurta. “Estão surgindo muitos pequenos produtores, pessoas que fazem isso como hobbie, que não vivem do lucro da venda e podem inovar em vinhos de alta qualidade.”

As grandes vinícolas, concentradas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, que têm maior representatividade nacional, estão competindo com pequenos produtores de São Paulo, Minas Gerais, e até Goiás.

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