Brasília comemora 58 anos com muitas histórias

Brasília comemora 58 anos com muitas histórias

  A capital federal é feita de pessoas que constroem diariamente seus sonhos por aqui. Personagens, que nascidos aqui ou não, ajudam a construir a cada dia uma nova história

No próximo 21 de abril, Brasília faz 58 anos. É uma capital nova, mas cheia de lindas histórias, composta por personagens que encontraram na cidade o lugar ideal para viver, construindo sonhos e realizando seus projetos.

Aqui, a primeira geração de brasilienses, diferente de outras capitais do país, há pouco se consolidou, mas já é possível perceber o engajamento que essa turma tem com a cidade. Brasília é lugar de empreendedores, idealizadores, sonhadores e apaixonados. Tem ainda aqueles não nasceram aqui, mas escolherem a cidade como um porto seguro para plantar suas raízes.

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Fernanda La Rocque, sócia do restaurante Carpe Diem, Diogo Silveira cofundador da Selfstok, Ricardo Barbosa, diretor de Marketing e Vendas do Café do Sítio, David Lechting proprietário do Restaurante El Paso e o jornalista Daniéll Zukko, fazem parte desse time. Saiba por quê?

Tradição

Fernanda La Rocque é filha do proprietário de um dos restaurantes mais tradicionais de Brasília, o Carpe Diem, fundado pelo pai, Fernando La Rocque, em maio de 1991. A casa fica em uma das esquinas da 104 Sul. Hoje, Fernanda é peça chave no comando do negócio da família, herdou do pai a paixão pela gastronomia e o pulso firme no comércio.

Fernanda La Rocque. Foto: Telmo Ximenes

“Eu nasci em Brasília, fui criada aqui e minha relação com a cidade é de puro amor, sou completamente apaixonada por esse lugar. Tenho amigos que pensam em sair, morar fora, e isso nunca me passou pela cabeça. Fazer parte da história do Carpe Diem, que por sua vez faz parte da história de Brasília, é um privilégio muito grande. Quando o restaurante abriu eu ainda estava no segundo grau. Apesar de ser uma adolescente, fui ganhando admiração por essa casa que se consolidou e já tem quase 30 anos. É bacana escutar das pessoas ‘eu vinha aqui com meus pais e hoje trago meus filhos’. Vejo que há essa lembrança afetiva”, comenta Fernanda.

Empreendedorismo

Enxergar uma oportunidade de mercado e ir além do obvio, não é para qualquer um. E mais, investir e apostar nisso exige preparo e planejamento, uma pitada de ousadia também não cai nada mal. Esse é o caso de Diogo Silveira, empresário dono da Selfstok, localizada no SCIA. Filho de Álvaro da Silveira, fundador da Drogaria Rosário, em 1975, Diogo viu em Brasília, um mercado promissor para a implementação de um Self Storage (como são chamados os locais para auto armazenamento de pertences).

Diogo da Silveira. Foto: Bruno Lobo

“O meu relacionamento com a cidade é por inteiro. Eu nasci em Goiânia, mas apenas por que a minha mãe era de lá e os médicos dela também, mas nessa época meus pais já moravam aqui. Trabalhei, desde pequeno, na empresa do meu pai, onde já havia uma relação de empreendedorismo. Ele cresceu muito com a cidade, e hoje, nós continuamos crescendo, acreditamos no desenvolvimento de Brasília. Vejo que a cidade é muito mais do que política e funcionalismo público e ainda tem muito para se desenvolver, afinal estamos falando de uma cidade com quase 3 milhões de habitantes de área total”, aponta Diogo

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Entretenimento

O jornalista brasiliense Daniel Zukko é apaixonado pela capital e encontrou uma maneira, nada convencional, de homenagear a cidade. Além de traduzir, através de suas fotos, um pouco das belezas naturais e arquitetônicas da cidade, ele também é o idealizador, produtor e apresentador do programa #minhabrasília.

Daniel Zukko. Foto: Vinicius Santa Rosa

A bordo de uma Brasília Amarela, um dos mais carismáticos carros da Volkswagen, espécie de estúdio móvel, composto por cinco câmeras GoPro, o jornalista entrevista personalidades brasilienses e artistas de fora que estão de passagem pelo DF. Com projetos que levam a Capital Federal como tema, Daniéll já se consolidou como figura pública, que acredita e investe no entretenimento e lazer que a cidade proporciona.

História

A história do Café do Sítio se confunde com a da capital federal. A fábrica, comprada por Antônia e Teones Barboza de Souza em 1967, já se tornou sinônimo de tradição no quadradinho. O casal nordestino havia se mudado há pouco para Brasília, cidade que também dava seus primeiros passos. Desde o início, a empresa se desenvolveu com base no modelo de gestão familiar, sempre com o olhar atento do Sr. Teones. Hoje, dona Antônia continua firme no comando e na presidência da fábrica. Mas é Ricardo Barbosa, neto do casal e diretor de Marketing e Vendas do Café do Sítio, um dos cabeças do negócio.

Ricardo Barbosa. Foto: Divulgação

Nascido e criado em Brasília, Ricardo é apaixonado pelo trabalho e vibra com cada conquista. “A gestão familiar sempre foi uma realidade para nós, por isso o negócio flui naturalmente. Crescemos nesse universo, acompanhando o trabalho dos nossos pais. Hoje, temos a 1ª, 2ª e 3ª gerações no comando buscando, constantemente, a profissionalização da empresa que se tornou a maior torrefadora do Centro-Oeste. O ambiente familiar que existe na direção é vivido por todos os colaboradores e a intenção é fazer com que ele permaneça na empresa. Tudo com muito profissionalismo”, conta.

Acolhimento

O guatemalteco David Letching, conhecido na capital por comandar a rede de restaurantes El Paso, nasceu no Peru e cresceu na Guatemala.  Porém, foi na adolescência que o destino o trouxe para o local onde ele criaria raízes e afetos: Brasília. A história de amor de David com o quadradinho começa em 1983, quando ele e a família se mudaram devido ao trabalho do pai, o médico peruano Aarom Letching. No início, a ideia era ficar apenas quatro anos, mas, em 1986, as coisas tomaram outro rumo. Aos 42 anos, Rosa Garcia de Letching, chamada carinhosamente de Rosita, faleceu graças a um câncer no pulmão. “Isso foi muito marcante, me fez decidir ficar em Brasília. Os últimos momentos dela foram aqui, é aqui que ela está enterrada”.

David Letching. Foto: Romulo Juracy

David conta que a fama de lugar “frio” de Brasília não procede.  “Eu nunca poderia dizer isso. Recebi muito carinho aqui nos momentos mais difíceis da minha vida”. Quando a mãe faleceu e o pai foi embora para o Moçambique, o chef e as duas irmãs puderem sentir o calor do acolhimento da capital. “Isso foi muito marcante para mim, 35 anos depois, continuo com uma relação muito próxima com aqueles que nos abraçaram na dor. Brasília é um local que propicia muito o convívio familiar. O brasiliense ampara o estrangeiro com carinho. Tenho várias famílias aqui e, para cada uma, tenho um amor diferente”, se derrete ao falar da cidade. Para o futuro, David deseja que a estrutura da capital planejada consiga acompanhar o crescimento rápido. “Brasília está virando uma metrópole. Espero que consiga concilia r desenvolvimento com qualidade”.

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