Efeito Revlon

Efeito Revlon

Chego á Foz do Iguaçu animado com a publicação do IBGE sobre os dados do PIB da cidade das águas. Confesso-lhes que fiquei bastante entusiasmado com eles e com as matérias enaltecedoras vinculadas na imprensa local. Nada mais instigante para um recém-chegado e ainda conhecendo as ruas da cidade estes números publicados. Como muitos dos meus aparelhos trazidos na mudança eram 220w tive que correr atrás de algumas alterações para adaptar-me ao novo lar. A sua primeira indignação é: Porque não fazem estas coisas bi volts? Na primeira paragem em oficina para um pequeno reparo numa furadeira e no meio de uma prosa e outra toco no tema do PIB com o dono da oficina de reparos. A reação do gaúcho que me atendeu foi de, “este baiano está querendo curtir com a minha cara”. Percebi ali que havia algo de “anormal” naqueles números do IBGE e nas matérias enaltecedoras da imprensa local. Estava eu em Foz do Iguaçu mesmo a cidade dos números fantásticos? É notório andando pelo centro da cidade que sim pela quantidade de carros novos e importados com aquela confusão de placas dos três países que circulam livremente de um lado para o outro, nada “normal” para quem passou a vida inteira só vendo placas do seu próprio país.

Mas se você caminhar pelo Morumbi ou Jardim São Paulo, perceberá que há na cidade uma concentração de renda diferentemente do centro e de difícil compreensão sobre o crescimento apontado pelo IBGE de 24,53% na economia, considerado o maior registrado no estado. Fiquei curioso e preocupado ao mesmo tempo, curioso porque a primeira vista percebemos que o turismo, ou seja, o setor de serviços é dominante na cidade no chamado efeito Paraguai associada à beleza das cataratas. Com aproximadamente 22 mil leitos, Foz do Iguaçu se posta com uma das principais cidades de rota turística, competindo com grandes centros e antes de mudar-me para cá, fique hospedado num destes leitos e ouvi o reclame de uma funcionária sobre a exploração do seu trabalho, hoje pesquisando para escrever este artigo percebi que de fato a rede hoteleira explora sim pagando muito mal os seus colaboradores. Temos conhecimento que Foz do Iguaçu passou a ser um dos destinos preferidos por brasileiros para férias e negócios no Brasil. Os dados sobre este aspecto nos aponta que o movimento de turistas domésticos cresceu 21,83% de janeiro a agosto em comparação ao mesmo período do ano passado. O Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas teve a presença de mais de um milhão de visitantes, dados do Ministério do Turismo, um número pra lá de espantoso. Preocupado, porque este tipo de afirmação pode se transformar numa ferramenta politiqueira para deixar como está, afinal em time que está ganhando, não se mexe assim é a máxima popular. Mas, para onde mesmo migrou toda esta renda!?

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Foz não tem a varinha de Harry Potter e tão pouco é diferente do restante do Brasil, nesta crise que vivemos percebemos que a cidade não tem um ciclo econômico expressivo. Ela não é exceção e tão pouco foge da regra dos conhecidos entraves burocráticos das altas cargas tributárias o vicioso, custo Brasil. Tem-se um parque Industrial onde poderia estar atraindo grandes investimentos, mas perde-se neste quesito para uma cidade encostada a ela, Santa Terezinha. Ficar refém só do serviço e de poucos brasileiros que descobriram que comprar na rua 25 de março em São Paulo é tão atraente e quiçá mais vantajoso que Cidade del Leste é muito temeroso, Foz pode ter um baque. Passeando por Cidade del Leste você já pode perceber as lojas fechadas e pouco frenesi em relação aos tempos áureos de compras no país vizinho, sinais claros e visíveis da crise.

O que sobrou então, a economia informal? Não, sobrou o faturamento da Usina de Itaipu que indubitavelmente deve ser algo astronômico. Mas eu me questiono, será que fica mesmo para a cidade de Foz de Iguaçu?  Desconfio que não e temo que alguém atravessou a ponte para comprar produtos da Revlon, mas a quem interessaria esta maquiagem?

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Fevereiro, 2018

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