Aplicativos de encontros: para que eles servem?

Aplicativos de encontros: para que eles servem?

Recentemente foi disponibilizado um texto nas redes sociais relatando uma espécie de “experimento social” feito por uma “mulher, mãe solo, de 27 anos, militante e feminista” em um aplicativo de relacionamentos. Esse texto copia trechos de mensagens trocadas entre ela e alguns homens que não se furtaram de demonstrar suas posturas preconceituosas quando às mulheres, mães, feministas etc. A despeito do pequeno valor acadêmico e de problemas éticos em pesquisa, como a falta de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, por exemplo, essa pesquisa informal trouxe uma amostra preocupante de homens que utilizam esse tipo de aplicativo.

Muitas(os) de meus(minhas) clientes utilizam os aplicativos de encontros como forma de conhecerem novas pessoas e, quem sabe, iniciarem uma relação amorosa. Obviamente, quando concluímos à nossa educação formal, as nossas possibilidades de conhecermos novas pessoas se restringem bastante, uma vez que boa parte das pessoas já estão comprometidas, muitas vezes casadas e com filhos. Aquelas pessoas que estão solteiras ou estão separadas, principalmente depois dos 30, precisam desenvolver estratégias para conhecer novas pessoas e se relacionar. Os aplicativos de encontros, portanto, se constituem em uma boa estratégia, senão, a única disponível para elas.

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Ao contrário de sites de relacionamentos, que fizeram muito sucesso nos anos 2000, os aplicativos de encontros são destinados a qualquer tipo de pessoa e para quaisquer fins. Além disso, os sites de relacionamento indicam as opções que se compatibilizam com o perfil adicionado pelo usuário. Já os aplicativos são mais flexíveis, exigem menos informações e são os próprios usuários que selecionam com quem gostariam de iniciar uma interação. Em decorrência disso, as pessoas utilizam esses aplicativos para razões distintas: fazer amizades, terem relações sexuais casuais, arrumarem um(a) namorado(a), encontrarem a cara metade, aplicar golpes financeiros entre outros.

Aquelas pessoas que utilizam o aplicativo para arrumar uma namorado(a) ou a cara metade relatam, com muita frequência, experiências frustrantes e muitas vezes desastrosas com esse tipo de aplicativo. Essas experiências são carregadas de muito sofrimento e, provavelmente, os trechos transcritos no “experimento social” a que me referi acima são familiares para muitas pessoas que já usaram o aplicativo. Certamente a culpa não é do aplicativo e nem, necessariamente, das pessoas que os utilizam. É óbvio que nesses aplicativos vão existir homens e mulheres que mentem para atingir os seus objetivos e, sinto muito, fora precauções básicas de segurança, não temos muito como nos proteger dessas mentiras. Teremos pessoas que dirão que usam o aplicativo para conhecer pessoas novas e que não querem se envolver em nada sério no momento, mas que na verdade, querem encontrar o amor de suas vidas. Tem ainda aquelas pessoas que dizem que querem algo sério quando na realidade estão buscando sexo casual e, ao dizerem que querem algo sério, têm mais chance de obter o sexo casual que procuram. Não resta dúvida de que, para quem se depara com esses engodos e é ludibriado por eles, os aplicativos são uma grande fonte de sofrimento.

Não há problemas em utilizar o aplicativo para tentar conhecer um(a) futuro(a) namorada. Muitos relacionamentos sérios já começaram por meio do aplicativo, entretanto, estatisticamente, frente as ocorrências de encontros de uma noite só, me parece que os relacionamentos sérios são a exceção. O fato de os inícios de relacionamentos sérios por meio do aplicativo serem infrequentes, em princípio, não é nada de excepcional. Como já ressaltei em outros textos, a maior parte de nossos empreendimentos acadêmicos, profissionais, artísticos entre outros não serão bem-sucedidos todas as vezes que tentamos algo novo. Passar em um concurso público mesmo, para as maiorias das pessoas, envolverá um grande número de tentativas frustradas. As pessoas que começam a fazer concursos esperando passar nas primeiras tentativas dificilmente conseguirão passar um dia, pois desistirão rapidamente. Para elas, o processo será frustrante, logo, doloroso. Exatamente o que acontece quando se tenta arrumar um relacionamento sério em aplicativos de encontros.

Caso a sua meta seja iniciar um relacionamento sério, os aplicativos de encontros são sim uma alternativa, mas tenha em mente que, muitas tentativas frustradas serão necessárias até que seu objetivo seja atingido. Você conversará com muitas pessoas que preferiria não ter começado a conversar. Para sobreviver ao processo, é fundamental reconhecer que as tentativas frustradas fazem parte do processo, uma vez que as outras pessoas não terão, necessariamente o mesmo objetivo com o aplicativo que o seu. Fora aquelas pessoas que não se interessarão por você. Faz parte! Mas o fato de alguém não se interessar em você, diz mais a respeito da outra pessoa do que de você. A conclusão de que você não é interessante após uma rejeição amorosa não faz sentido, afinal, é muito provável que você seja interessante para outras pessoas. Os aplicativos de encontros são uma realidade e não adianta lutar contra um fato. Eles podem ser muito úteis para as pessoas atingirem seus objetivos do ponto de vista das interações sociais, mas, como qualquer ferramenta, devem ser utilizados com sabedoria. Afinal, uma cafeteira faz café, no máximo, chocolate quente e cappuccino. Se esperarmos fazer um bolo em uma cafeteira, provavelmente nos frustraremos.

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Dezembro, 2017

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