Suicídio na adolescência: Você conversa com seus filhos?

Suicídio

O assunto do suicídio na adolescência tem recebido muito destaque nas últimas semanas em decorrência da nova série da Netflix “13 Reazons Why” e pelo jogo “Baleia Azul”.

Nesse momento, várias pessoas dão a sua opinião sobre o assunto, sendo algumas delas especialistas e outras, nem tanto. O comentário mais comum é o da importância de os pais conversarem com os seus filhos. Na realidade, as conversas em família têm sido apontadas como as melhores alternativas para motivar os jovens a estudar, prevenir o uso de drogas, prevenir comportamentos antissociais (e.g., pichação, bullying, participação em grupos de briga etc.) e prevenir o suicídio. Os pais são constantemente convocados a conscientizarem os seus filhos para o seu próprio bem. Mas será que conversar adianta?

Em primeiro lugar, devemos refletir sobre que tipo de conversa nós estamos falando. Se você perguntar para muitos pais se eles conversam com os seus filhos, é provável que eles digam que sim, ou que, pelo menos, tentam. Por outro lado, se perguntarmos para os filhos acerca dessas conversas, é provável que escutemos uma versão bem diferente. O que muitos pais consideram uma conversa é simplesmente uma lista interminável de conselhos: “Não fume”; “não beba”; “não ande em más companhias”; “estude”; “não transe”; “faça vestibular para direito”; “use camisinha”; “não aceite drogas”; “faça dieta”; “faça exercício” etc. As conversas também envolvem críticas e cobranças: “suas notas estão péssimas”; “isso é hora de chegar em casa?”; “seu quarto está uma bagunça”; “você se veste como um favelado”; “você só quer saber de tocar violão”; “não acredito que você pôs um piercing” etc. E o pior, comparações: “no meu tempo, eu já trabalhava e estudava”; “seu irmão me deu muito menos trabalho”; “por que você não é organizada como a sua irmã?”; “sua prima estuda 10 horas por dia para o ENEM” etc. Infelizmente, conversas como essas não previnem o suicídio e nem possuem muito efeito sobre as demais questões adolescentes.

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Conversas assim geralmente são aversivas e, em decorrência disso, afugentam os adolescentes. Vários pais comentam: “eu tento conversar com o meu filho, mas ele passa o dia trancado no quarto”. Esse é o momento de os pais se perguntarem por que razões os seus filhos estão fazendo isso. Uma delas talvez seja o modo como as conversas ocorrem. Conversar implica dialogar e não apenas falar. O aspecto mais importante de uma conversa com os filhos é o espaço de escuta. O problema é que os filhos dificilmente vão se abrir com os pais que os criticam e aconselham com frequência. Por exemplo, se o pai disse umas 100 vezes para o filho não fumar, qual a chance de o filho relatar a sua primeira experiência com um cigarro para o pai?

Realmente é muito difícil, mas os pais, ao conversarem com os seus filhos, devem perguntar para eles sobre as festas, os namoros, as paqueras, as aulas, os amigos, os lazeres e os esportes. Devem conversar com eles como se estivessem conversando com um igual e não com alguém que não sabe se cuidar sozinho. É óbvio que os pais, em algum momento, devem dar boa parte dos conselhos acima. Entretanto, repeti-los a cada conversa é absolutamente ineficaz. Escutem seus filhos, mas ao invés de criticá-los ou aconselhá-los repetidamente, tentem entender o que os levou a agir de determinado modo. Peçam a opinião dos seus filhos acerca desses temas. Perguntem o que eles pensam sobre sexo, namoro, casamento, concursos públicos, consumo de álcool, consumo de drogas ilícitas, política, religião, sobre suicídio entre outras questões. Reflitam COM, e não PELOS, seus filhos, acerca das possíveis consequências de certas escolhas de vida.

As conversas não precisam ser apenas sobre assuntos sérios, conversem sobre os jogos de videogame, sobre seriados, sobre filmes e músicas. Ademais, participem da vida de seus filhos, fazendo essas atividades juntos com eles. Aprender a jogar “Fifa Soccer”, assistir “Game of Thrones”, assistir “Transformers” e ouvir “Sertanejo Universitário” é bem melhor que ter filhos que apresentem os problemas listados acima. É óbvio que nada disso pode adiantar, afinal, o controle que temos sobre o que acontece com os nossos filhos é limitado. Todavia, participar, de fato, da vida deles, é muito mais eficaz do que ter “aquela conversa”.

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