Marmanjos na Barra da Saia: Por que ele(a)s não querem crescer?

Marmanjos

Não é novidade que os filhos estão saindo de casa cada vez mais tarde. Além disso, apresentam pouca autonomia para a resolução de problemas práticos, como agendamento de consultas médicas, matrícula na faculdade, transferências de veículos, pagamento de seguro de carro etc. Frequentemente ouvimos de pessoas mais velhas que, quando elas tinham essa idade, já eram muito mais independentes.

Obviamente, estamos falando de um problema das classes A e B. A despeito da crise econômica atual, de meados dos anos 90 até o início dos anos 2010, pudemos experimentar um período de bonança muito diferente da realidade dos anos 70 e 80. Nessas décadas, as famílias de classe média possuíam apenas um carro (quando possuíam), apenas uma televisão, apenas um aparelho de telefone fixo etc. Caso as famílias tivessem mais de dois filhos, provavelmente, estes estudariam em escolas públicas. Era necessário que o jovem trabalhasse e ajudasse os pais com as despesas da casa. Os pais não tinham condições de custear o estudo em faculdades particulares. Sendo assim, ou os filhos estudavam nas universidades públicas ou precisavam trabalhar para ajudar no custeio de seus estudos. Não resta dúvida, a vida era mais dura.

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Na medida em que houve uma melhora nas rendas das classes A e B que, com isso, passaram a ter mais acesso aos bens de consumo, os pais passaram a proteger os próprios filhos das privações que eles mesmos passaram quando jovens. Não são raras frases do tipo: “Ora, se temos dois carros, por que nossos filhos precisam ir de ônibus ou a pé para escola?”; “Se eu tenho condições de dar um smartphone para meu filho de oito anos, por que não fazê-lo?”; “Se eu chego em casa cedo do trabalho, por que eu não posso ajudar meu filho com o dever de casa?”; “Brasília está muito mais perigosa nos dias de hoje, então, tenho que buscar meu filho nas festas para que ele não volte de madrugada para casa”; “Brasília é um inferno sem carro, vou dar um carro para cada um dos meus filhos” etc.

Além disso, houve uma grande confusão do leigo quando os psicólogos passaram a discutir o impacto dos estímulos parentais de educação. Nós psicólogos condenávamos o estilo agressivo/autoritário, no qual as regras eram impostas pelos pais e o uso do castigo corporal era a principal estratégia para fazer com que os filhos as seguissem. Entretanto, muitos pais adotaram um estilo indulgente, no qual não impunham limites para os filhos. Limites são essenciais, ainda que devamos utilizar métodos não agressivos para aplicá-los.

Por fim, parece que a dor ou o desconforto do filho em entrar em contato com as consequências das próprias escolhas é inaceitável para os pais. De modo que estes criam seus filhos em redomas, nas quais os pais absorvem os impactos das más escolhas tomadas pelos filhos a fim de poupá-los do sofrimento. Em primeiro lugar, o sofrimento é inevitável, ou seja, é impossível viver a vida toda sem sofrimento. Não há outro modo de aprender a tolerar o sofrimento que vivenciá-lo em certa medida. Em segundo lugar, como podemos aprender a fazer melhores escolhas se nossos pais vão nos poupar das consequências das nossas más escolhas?

Diante desse quadro, temos jovens cada vez menos preparados para lidar com os desafios da vida contemporânea. Jovens que permanecem morando com os pais até depois dos 30 anos sem, aparentemente, se importarem com isso. Por mais que os pais se queixem dos seus filhos pela sua dependência e imaturidade, não dão oportunidade para seus filhos aprenderem a serem independentes.

Ser bom pai/mãe não é proporcionar tudo o que o filho precisa. Ao contrário, é dar condições para que ele aprenda a se virar sozinho, mesmo que, para isso, precise passar pelos apertos que nós passamos quando jovens. Será que realmente pegar ônibus, resolver um problema na operadora de celular, agendar uma consulta médica, enfrentar filas de bancos, pagar multas, trabalhar para pagar os estudos, arrumar o próprio quarto é tão ruim assim? Fica aí a reflexão.

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