Então você deu pé na bunda? Parte V “Não quero mais você, mas fique bem se seja feliz”

pé na bunda

Finalizando a série sobre a rejeição, ao contrário dos outros textos, hoje vou falar sobre quem rejeitou. Costumamos pensar esta pessoa não sofre com os términos, o que é um erro, ainda que o seu sofrimento seja muito menor do que o da pessoa que sofreu a rejeição. O sofrimento de quem rejeitou, além de decorrer da perda do acesso à outra pessoa e às outras pessoas a ela relacionadas, decorre, principalmente, da culpa.

A culpa, definida de uma maneira bem simplória, pode ser entendida como aquelas alterações emocionais decorrentes da emissão de comportamentos considerados socialmente inadequados. Nos consideramos culpados pelo sofrimento da outra pessoa por rompermos a relação. De fato, o sofrimento da outra pessoa decorre do término, o que não quer dizer que a culpa do sofrimento seja de quem rompeu o relacionamento.

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Uma pessoa não é obrigada a continuar com a outra, caso não a queira mais ou não esteja mais feliz com o relacionamento. É óbvio que, provavelmente, fiquemos tristes pelo sofrimento do outro, o que chamamos de empatia, mas o sentimento de culpa, pela lógica, não seria justificado. Dessa confusão, costumam ocorrer as atitudes mais egoístas de quem rompe, motivadas por evitar a culpa.

Ao tentarmos evitar a culpa, costumamos ser pouco claros quando rompemos, numa tentativa de “dourar a pílula”. São muito comuns as seguintes frases na hora do término: “Saiba que estou sofrendo mais que você”; “Você é o(a) homem/mulher da minha vida, mas agora não posso ficar contigo”; “Vou te amar para sempre, mas estou terminando contigo”; “Você é a pessoa certa para mim, mas na hora errada”; “Acho que não devemos mais ficar juntos”; “Eu queria continuar com você, mas não posso”. Além das frases ambíguas acima, o contato após o término também contribui para que não se perceba o fim definitivo da relação, principalmente quando este resulta em contatos íntimos (“flashbacks”).

Ao terminarmos de forma ambígua, os indícios de sofrimento do outro são menos intensos e, em decorrência disso, nos sentimos menos culpados. É verdade que, em términos ambíguos que eu costumo chamar de “meia tigela” ou “meia boca”, a rejeição dói menos porque que ela não é apresentada de forma definitiva. Entretanto, por mais que, em curto prazo, doam menos as rejeições de “meia tigela”, em longo prazo, elas serão mais dolorosas porque a pessoa rejeitada demorará muito mais a desistir. Enquanto houver esperança, o término dificilmente será superado e o sofrimento se prolongará.

Terminar de forma pouco clara também está associada à comodidade de se ter a outra pessoa disponível por mais tempo. Nesse caso, o egoísmo é mais evidente. Quando rompemos de forma clara e definitiva, estamos abrindo mão da outra pessoa que, por mais que sofra no início, não terá alternativa senão tocar a própria vida, superando mais rapidamente o rompimento. Ao fazê-lo, não ficará mais disponível para a pessoa que a rejeitou. Quando terminamos de modo ambíguo, teremos alguém nos querendo por mais tempo, como uma espécie de “plano B” caso todo o resto dê errado.

As duas explicações para términos ambíguos não são excludentes e, por mais estranho que nos pareça, quem rompe dessa maneira raramente tem consciência das próprias motivações. Romper um relacionamento de forma responsável exige, portanto, uma boa dose de autoconhecimento.

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Em resumo, se você realmente se importa com sofrimento do outro e deseja que essa pessoa sofra o mínimo possível, seja claro(a) ao romper. Por mais que seja doloroso no momento do término, a superação será muito mais rápida e essa pessoa estará livre de você para seguir a própria vida. Pode parecer frio e insensível, mas os términos sinceros são os mais altruístas.

BDF na Rede

         

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Dezembro, 2017

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