Então você tomou um pé na bunda? Parte II – Figurinha repetida não preenche álbum?

pé na bunda

Muitos casais que se separam continuam interagindo e, muitas vezes, mantendo relações sexuais ocasionais. Esses encontros são tão corriqueiros que os chamamos popularmente de “flashbacks”, anglicismo que eu vou adotar nesse texto.

Em primeira vista, os flashbacks não representam uma grande ameaça aos ex-parceiros (ex-namorados ou ex-conjuges). São duas pessoas que, aparentemente, estão solteiras, são adultas (ou quase isso) e que ainda possuem uma espécie de desejo uma pela outra, de modo que não parece haver razões que desaconselhem passarem momentos juntas.

Se, de fato, o término da relação tiver sido uma decisão em conjunto na qual, ambos, percebem que o que sentem um pelo outro não é mais compatível com uma relação estável, os flashbacks podem ser apenas uma forma de se satisfazer sexualmente e de se divertir sem grandes implicações. O problema é que términos como esse são a exceção e não a regra. Na maioria dos casos, os rompimentos decorrem de decisões unilaterais, nas quais uma das pessoas se vê como rejeitada pela outra. Os flashbacks, nesses casos, costumam resultar em sérios problemas para todos os envolvidos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Em primeiro lugar, a motivação de cada um para continuar se encontrando é diferente. Geralmente, que sofreu a rejeição tem flashbacks com a meta de reestabelecer o relacionamento. Por outro lado, aquele que rompeu, normalmente, deseja apenas passar momentos prazerosos (não estou falando apenas do prazer sexual) com o(a) ex. O que dificulta a situação é que ambos dificilmente estão conscientes da motivação do outro em ter os flashbacks e nem das próprias motivações.

Pensamos inicialmente que a pessoa que rompeu o relacionamento não se preocupa com a outra pessoa que está sofrendo pelo término. É aí que entra o que chamamos em Psicologia de auto-engano ou racionalização, na medida em que são inventadas desculpas para si mesmo capazes de justificar os encontros e minimizar a culpa pelo sofrimento da outra pessoa. As seguintes frases são bons exemplos de auto-enganos ou racionalizações: “mas eu já deixei bem claro que é só uma ficada e que não vamos reatar”; “ele(a) até já está saindo com outras pessoas. Vai ser apenas sexo sem compromisso… sem expectativas…”; “Foi o álcool e a nossa música ter tocado na festa que me fez querer vê-lo(a)”; “Eu tenho que devolver pessoalmente o livro do Neruda”. A pessoa que está sofrendo pelo término também encontra boas justificativas para se encontrar o(a) ex, negando para si e para os outros, a motivação real que é a de reatar.

Por que os flashbacks são ruins para quem sofreu a rejeição? Em primeiro lugar, os flashbacks dificultam a percepção de que o término é definitivo. De modo que a pessoa, ao invés de vivenciar o luto e “fazer a fila andar”, como se diz popularmente, fica investindo numa relação não será retomada. Em segundo lugar, o processo é muito doloroso porque prolonga o sofrimento por anos, uma vez que a pessoa demora mais a desistir. Além disso, após cada encontro, vem a frustração pelo não reestabelecimento do relacionamento. Em longo prazo, portanto, os flashbacks são um martírio de pequenas e dolorosas rejeições. Para piorar, os flashbacks, ao invés de aumentarem a chance de o casal reatar, a diminui drasticamente. Se quem terminou o relacionamento ainda tem acesso ao(à) ex sem a necessidade do compromisso, o que a(o) motivaria a reatar? Ademais, raramente os flashbacks são encontros casuais sem cobranças, reclamações e demonstrações de sofrimento, diminuindo a probabilidade de quem terminou mudar de ideia.

Os flashbacks também são ruins para quem terminou porque ele(a) terá que lidar com as cobranças, as perseguições, as ligações de madrugada e os pedido para reconciliação por mais tempo. Além disso, a existência de alguém disponível pode diminuir a motivação de se envolver com novas pessoas. Sendo assim, os flashbacks também podem manter a pessoa que rompeu o relacionamento parada no tempo. Como se diz na gíria popular: “Figurinha repetida não preenche álbum”.

Sem fazer um juízo moral, as pessoas devem pensar muito bem antes de terem flashbacks. Em primeiro lugar, devem tentar tomar consciência das próprias motivações e ciência das motivações da outra pessoa. Muitas vezes é difícil de consegui-lo sem a ajuda de um psicoterapeuta. De qualquer forma, se o término foi unilateral, dificilmente o flashback é aconselhável para todos os envolvidos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


 

BDF na Rede

         

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Dezembro, 2017

Filtrar eventos

16dez(dez 16)22:0017(dez 17)22:00Festa das Patroas Brasília com Maiara & Maraisa e Marilia Mendonça

X

Send this to a friend