Só por diversão?

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Por mais que as pessoas adorem se divertir, a diversão é vista de forma pejorativa em nossa cultura. As atividades feitas por diversão costumam ser consideradas pouco úteis, vazias e superficiais, ao passo que aquelas feitas por obrigação, por responsabilidade ou por amor, são consideradas significativas e valiosas.

Um exemplo disso é a comparação entre o sexo por amor e o sexo por diversão. O sexo por diversão é considerado sem sentido, vazio e vulgar. Ao passo que o sexo por amor é considerado mágico, sublime e especial. De modo que, para algumas pessoas, apenas o sexo por amor deveria ser praticado. Em nossa cultura machista, homens podem fazer sexo por diversão e mulheres “de valor”, apenas o sexo por amor. Eu me pergunto porque os homens teriam o direito de se divertir e as mulheres não. Ou pior, por qual razão as mulheres perderiam o valor pessoal frente à sociedade ao se divertirem com o seu próprio corpo. O mesmo vale para a masturbação que é mais tolerada para homens que para a mulheres. Dizem que essa forma de pensar é passado e que a nossa sociedade já evoluiu além desse ponto. A eleição de Donald Trump e a reverência à Jair Bolsonaro mostram que essa e outras formas de pensar conservadoras estão mais do em voga. Ao meu ver, homens e mulheres possuem o direito de fazer sexo acompanhados ou sozinhos só por diversão. Isso não mudará em nada o que eles são ou o valor que possuem.

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A desvalorização da diversão não se restringe ao sexo, mas as atividades de lazer também. Para que serve um videogame? Pessoas “maduras” não deveriam jogar videogame, afinal, não aprendem nada de útil ao fazê-lo. Pessoas “maduras” devem preferir ir ao cinema, teatro, museus e shows. Filmes julgados hollywoodianos e teatro de comédia pastelão também deveriam ser evitados, uma vez são apenas diversão e não induzem reflexões sobre a existência, a essência e as misérias humanas. Refletir sobre questões profundas pode ser importante, entretanto, defendo que a diversão é fundamental para termos qualidade de vida. Para mim, a diversão não deve ser encarada como um apêndice de nossas vidas e sim, como um dos aspectos centrais, como trabalho, família, conjugalidade, atividade física etc., mesmo que o que fazemos para nos divertir não possua utilidade prática ou contribua para um suposto crescimento pessoal.

A competitividade é uma das características humanas que costuma estragar a diversão. Por exemplo, se uma pessoa pratica uma arte marcial e o objetivo dela é ser melhor do que seus colegas (mesmo que ela não pretenda participar de torneios) é pouco provável que se divirta ao fazê-lo. A atividade que deveria ser prazerosa acaba sendo geradora de ansiedade porque a pessoa se avalia e se compara com os outros ao invés de aproveitá-la. O mesmo vale para aprender a tocar um instrumento musical, aprender uma língua estrangeira ou praticar dança de salão.

Uma característica muito comum de pessoas que procuram a terapia é o pouco tempo que gastam com diversão em relação ao tempo que dispensam ao trabalho, ao casamento e à família. Elas não encaram isso como um problema, afinal, tendem a considerar a diversão uma atividade desnecessária em suas vidas. Parte do tratamento consistem em modificar essa concepção sobre diversão e torná-la um dos aspectos protagonistas da vida da pessoa. Portanto, tire o seu videogame do armário e divirta-se sem culpa, afinal, será que sucesso, status, poder, crescimento pessoal são realmente mais importantes do que se divertir?

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Dezembro, 2017

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